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    porto velho, sábado 17 de outubro de 2026

“MDB manda votar em Flávio, mas grupo de Confúcio desafia direção e fica com Lula

Até agora, porém, não há informação pública de que a Executiva Nacional tenha anunciado punições contra filiados que apoiem Lula....


Redação

Publicada em: 16/10/2026 18:45:34 - Atualizado

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PORTO VELHO - RO - A decisão da maioria do MDB de marchar com Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial colocou o partido diante de uma situação delicada em Rondônia. Enquanto a direção nacional consolidou uma ampla maioria de diretórios estaduais em torno do candidato do PL, o núcleo político ligado ao senador Confúcio Moura mantém proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tende a remar na direção contrária.

Pelo menos 17 diretórios estaduais do MDB aderiram ao apoio a Flávio Bolsonaro nesta reta final da disputa presidencial. A movimentação transformou o apoio ao candidato do PL na posição majoritária dentro da legenda, embora estados principalmente do Norte e do Nordeste permaneçam alinhados a Lula.

Em Rondônia, porém, o MDB carrega uma particularidade. Confúcio Moura foi, durante os últimos anos, o parlamentar rondoniense mais identificado com a base política do governo Lula no Congresso Nacional. Entre os integrantes da bancada federal do estado, o senador manteve uma relação política muito mais próxima do Palácio do Planalto do que os demais representantes rondonienses, fato que lhe custou a desistência do processo eleitoral.

Essa ligação ajuda a explicar por que parte da militância e das lideranças que gravitam no entorno de Confúcio dificilmente deverá acompanhar automaticamente a orientação majoritária do MDB nacional. A tendência política é que esse grupo permaneça com Lula no segundo turno, aprofundando uma divisão que já existe dentro do partido em nível nacional.

A posição pode gerar desconforto. Com a maioria dos diretórios estaduais caminhando ao lado de Flávio Bolsonaro, manifestações ostensivas de dirigentes e quadros do MDB de Rondônia em favor do candidato petista poderão provocar cobranças da cúpula partidária, sobretudo se houver orientação formal para engajamento na campanha do candidato do PL.

Até agora, porém, não há informação pública de que a Executiva Nacional tenha anunciado punições contra filiados que apoiem Lula. Por isso, qualquer eventual advertência, enquadramento ou reprimenda ao grupo ligado a Confúcio dependerá das regras internas adotadas pela legenda e do grau de liberdade concedido aos diretórios estaduais.

O episódio evidencia também o isolamento político de Confúcio dentro do cenário rondoniense. Em um estado no qual o eleitorado demonstrou forte preferência pelo campo conservador no primeiro turno, o senador manteve posições críticas à chamada direita radical e à polarização política. Recentemente, ele voltou a manifestar preocupação com o avanço desse segmento em Rondônia.

O segundo turno, portanto, cria para o MDB rondoniense um problema que ultrapassa a escolha entre Lula e Flávio. De um lado está a estratégia nacional de uma legenda que decidiu, majoritariamente, apostar no candidato do PL. Do outro, permanece o grupo de Confúcio Moura, historicamente próximo ao governo petista e com pouca identidade política com o bolsonarismo.

Se a militância ligada ao senador entrar abertamente na campanha de Lula, Rondônia poderá se transformar em um dos exemplos mais visíveis da divisão interna do MDB. E, dependendo da condução da Executiva Nacional, o voto presidencial poderá deixar de ser apenas uma escolha eleitoral para virar também uma disputa de autoridade dentro do próprio partido.


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