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porto velho, quarta-feira 21 de outubro de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quarta-feira (21/10) recebeu o vice-governador Sérgio Gonçalves para uma entrevista sobre os desafios políticos e econômicos de Rondônia, as prioridades da próxima gestão estadual e a necessidade de maior articulação com o governo federal.
Ao longo da conversa, Sérgio defendeu mudanças na relação entre o poder público e o setor produtivo, reconheceu problemas de burocracia no próprio estado e apontou a regularização fundiária, a infraestrutura e a qualificação profissional como questões que exigem atenção do futuro governo.
O momento de maior peso político ocorreu quando o vice-governador foi questionado sobre os caminhos para garantir segurança jurídica aos produtores rurais que ainda não possuem a documentação definitiva de suas propriedades.
“Rondônia precisa voltar para Brasília, essa é a verdade”, afirmou Sérgio Gonçalves, ao defender uma atuação mais próxima das lideranças estaduais junto ao governo federal.
A declaração foi acompanhada de uma avaliação sobre o cenário político após as eleições. Segundo ele, a experiência do governador eleito Marcos Rogério no Congresso Nacional poderá contribuir para a interlocução com Brasília e o encaminhamento de reivindicações históricas do estado.
Ao discutir o desenvolvimento econômico, Sérgio Gonçalves afirmou que Rondônia precisa superar dificuldades administrativas que comprometem a expansão de empresas e a chegada de novos investimentos.
O vice-governador citou a demora na concessão de licenças como exemplo de um problema que afeta diretamente a atividade econômica.
Segundo ele, empresários podem esperar de seis meses a um ano por determinadas autorizações, como a outorga necessária para utilização de água de poços artesianos.
Na avaliação de Sérgio, a burocracia aumenta os custos de produção, compromete investimentos e acaba atingindo também os consumidores.
“Aqui em Rondônia, é meses. Dependendo da situação, tá ano lá esperando”, declarou, ao comparar os prazos de análise de processos no estado com os de outras unidades da federação.
Para o vice-governador, a próxima gestão precisa estabelecer procedimentos mais rápidos e eficientes, garantindo respostas aos empreendedores sem comprometer as exigências legais.
“Então, a burocracia é um câncer que precisa ter o devido tratamento”, afirmou.
A crítica ganhou relevância por partir de uma autoridade que integra a atual administração estadual e que também esteve à frente da área de desenvolvimento econômico do governo.
Questionado por Arimar Souza de Sá sobre o que fez para enfrentar esses problemas, Sérgio relembrou sua atuação como secretário de Desenvolvimento Econômico.

Ele afirmou que, ao iniciar o trabalho na pasta, em 2019, identificou a ausência de um canal de diálogo que permitisse ao empresariado apresentar suas dificuldades diretamente ao governo.
Segundo o vice-governador, a iniciativa de abrir esse espaço possibilitou encaminhar demandas relacionadas a questões tributárias, ambientais, sanitárias e administrativas.
Ao projetar o próximo governo, Sérgio defendeu que essa interlocução seja fortalecida e tratada como prioridade.
Para ele, a relação entre a administração estadual e o setor produtivo não deve se limitar a encontros pontuais, mas oferecer condições permanentes para a discussão de problemas e soluções.
O vice-governador também recordou uma preocupação que, segundo seu relato, ouviu de empresários durante a campanha eleitoral de 2022.
“Você vai ganhar a eleição, você vai me receber ou você vai sumir?”, contou, ao reproduzir questionamentos que recebeu naquele período.
A lembrança foi utilizada para defender maior acessibilidade das autoridades estaduais e uma administração mais próxima de quem investe e gera empregos em Rondônia.
Um dos pontos centrais da entrevista foi a situação de produtores rurais que ocupam e trabalham em propriedades, mas ainda enfrentam dificuldades para obter a documentação definitiva da terra.
Arimar questionou os impactos dessa realidade sobre o acesso ao crédito e a capacidade de investimento no campo.
Em resposta, Sérgio afirmou que a regularização fundiária exige articulação direta com Brasília e vontade política para enfrentar os entraves existentes.
O vice-governador demonstrou otimismo com a possibilidade de avanços a partir de janeiro de 2027 e destacou a experiência política do governador eleito.
“Rondônia precisa voltar para Brasília, essa é a verdade”, reiterou.
Na avaliação dele, a presença do governo estadual nas discussões federais será fundamental para buscar soluções que atendam aos produtores e fortaleçam a economia rondoniense.
A situação da produção de leite em Rondônia também foi discutida durante a entrevista.
Ao abordar a necessidade de industrializar a produção local e agregar valor aos produtos do estado, Arimar questionou como transformar a riqueza do agronegócio em mais empregos e renda.
Sérgio apontou a cadeia produtiva do leite como exemplo de um setor que enfrenta dificuldades e necessita de medidas específicas.
“Você viu quantos laticínios fecharam em Rondônia nos últimos anos? Vários, houve uma concentração, o que não é bom para o mercado”, afirmou.
Segundo ele, o produtor rural, responsável pelo início da cadeia produtiva, enfrenta dificuldades relacionadas ao preço recebido pelo leite.
O vice-governador defendeu políticas públicas capazes de fortalecer essa etapa da produção e gerar reflexos positivos sobre os laticínios, o transporte, a logística e a geração de empregos.
A avaliação foi acompanhada de uma cobrança por investimentos em infraestrutura, área que Sérgio considera essencial para ampliar a competitividade econômica de Rondônia.
Ele afirmou existir uma lacuna de investimentos que poderá ser enfrentada pela próxima administração estadual.
Outro desafio apontado pelo vice-governador foi a dificuldade de empresas rondonienses para contratar profissionais com a formação exigida pelo mercado.
Ao responder a uma pergunta sobre as oportunidades para a juventude, Sérgio afirmou que o estado precisa investir em educação profissional e aproximar a formação dos jovens das necessidades das empresas.
“Nós temos hoje um perfil de jovem no nosso estado que carece de oportunidades de acesso a uma educação formadora para o trabalho”, declarou.
Para ele, a ampliação das oportunidades depende de duas frentes: fortalecer o ambiente econômico para que as empresas possam contratar e oferecer qualificação que permita aos jovens ocupar essas vagas ou abrir seus próprios negócios.
Sérgio destacou que a falta de profissionais qualificados representa um problema para determinados setores, mesmo diante da necessidade de geração de emprego e renda.
A segurança pública também foi abordada como um dos fatores que interferem na economia de Rondônia.
Questionado sobre como conciliar crescimento econômico, preservação ambiental e segurança para quem produz, Sérgio reconheceu a existência de dificuldades nessa área.
“Hoje a gente vive uma crise, não tem como negar, tem uma crise de segurança pública”, afirmou.
O vice-governador relacionou o problema às condições enfrentadas por empresários em diferentes regiões do estado, destacando que a segurança integra o conjunto de fatores necessários ao desenvolvimento econômico.
Depois de abordar os desafios internos de Rondônia, Sérgio Gonçalves também apresentou sua avaliação sobre o cenário político nacional.
O vice-governador criticou o ambiente de negócios no Brasil sob o governo Lula, classificando o país como desfavorável aos empreendedores.
“Hoje o Brasil é um país hostil para quem empreende”, declarou.
Na avaliação dele, a burocracia e os custos impostos às atividades produtivas dificultam investimentos e prejudicam a geração de empregos.
Ao tratar da regularização fundiária e da necessidade de interlocução com o governo federal, Sérgio também manifestou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
“É claro que o cenário perfeito seria, que é o que eu acredito, o Flávio Bolsonaro vencer as eleições”, afirmou.
Para o vice-governador, uma eventual vitória de Flávio permitiria maior alinhamento político com o governo eleito de Rondônia.
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