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porto velho, terça-feira 3 de novembro de 2026

PORTO VELHO-RO: A destruição de dragas e balsas no Rio Madeira provocou uma onda de indignação em Rondônia e colocou os senadores eleitos Bruno Scheid e Fernando Máximo, ambos do PL, na linha de frente dos protestos contra a atuação da Polícia Federal e do Ibama. O que deveria representar uma operação de proteção ambiental transformou-se em uma polêmica sobre os limites da fiscalização, os prejuízos impostos às famílias garimpeiras e os possíveis danos ao próprio rio que se pretende preservar.
A contradição mais questionada está na inutilização das embarcações e dos combustíveis. Na Operação Nêmesis, realizada em 27 de outubro, foram inutilizados 72 equipamentos, incluindo 17 dragas, além de 16 mil litros de óleo diesel. O episódio levanta uma pergunta inevitável: como combater a degradação ambiental sem garantir que a própria destruição dos equipamentos não provoque novos danos ao Rio Madeira?
A Polícia Federal sustenta que as medidas possuem amparo legal e informa que retirou mercúrio e outras substâncias nocivas das embarcações antes da inutilização, para impedir a contaminação do rio. Ainda assim, os métodos utilizados passaram a ser alvo de questionamentos políticos e cobranças por esclarecimentos.
Bruno Scheid condenou a operação e apontou a demora na regularização das áreas de garimpo pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Para ele, não é aceitável que trabalhadores aguardem anos por autorizações enquanto seus equipamentos acabam destruídos. O senador eleito defende a regularização da atividade acompanhada de fiscalização rigorosa.
Fernando Máximo também reagiu duramente, classificando a ação como arbitrária e denunciando os prejuízos econômicos e sociais provocados pela destruição das embarcações. O parlamentar questionou ainda os impactos ambientais decorrentes dessas operações.
A presidente do Sindicato dos Garimpeiros, advogada Tânia Sena, também tentou interceder durante a fiscalização, segundo relatos divulgados na imprensa regional, mas não conseguiu impedir a continuidade da operação.
O episódio reacende um conflito histórico entre a política ambiental federal e a sobrevivência de milhares de pessoas que dependem direta ou indiretamente da exploração mineral na Amazônia. A legislação precisa ser cumprida, mas isso não dispensa o poder público de respeitar direitos, oferecer respostas aos processos de regularização e justificar a necessidade de medidas tão extremas.
Com a reeleição de Lula, cresce entre os representantes do setor o temor de que as operações sejam intensificadas nos próximos quatro anos. Trata-se de uma preocupação política, e não de uma decisão já anunciada pelo governo.
O desafio para Bruno Scheid e Fernando Máximo será transformar a indignação em medidas concretas no Congresso. Afinal, proteger o Rio Madeira é indispensável, mas a defesa do meio ambiente não pode prescindir da legalidade, da proporcionalidade e do respeito à dignidade de quem vive do trabalho na região.