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porto velho, sábado 11 de abril de 2026

BRASIL - Dados finais da fase III do estudo Latitude revelaram que o tratamento injetável de longa ação demonstrou eficácia superior na manutenção da supressão da carga viral em comparação com a terapia oral diária de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) em indivíduos com histórico de dificuldades de adesão ao tratamento antirretroviral (TARV).
Os registros da ViiV Healthcare, líder em pesquisa e desenvolvimento de prevenção e tratamentos para o HIV, representada pela GSK no Brasil, foram publicados no The New England Journal of Medicine.
Os resultados mostram que a mudança para o medicamento injetável de longa ação aplicado a cada quatro semanas reduziu quase pela metade o risco de falha virológica em comparação com a continuidade da terapia oral diária.
Em fevereiro de 2024, um Comitê Independente de Monitoramento de Dados e Segurança recomendou a interrupção da randomização do estudo com base em dados provisórios de eficácia, confirmando a superioridade do regime injetável de longa ação em desfechos-chave.
"O estudo apresentou evidência robusta que consolida o papel do tratamento injetável de longa ação como uma opção terapêutica importante para pessoas que vivem com HIV. É o primeiro estudo randomizado a confirmar que esta abordagem é superior à terapia oral diária para pessoas que enfrentam desafios de adesão", diz Dr. Rodrigo Zilli, diretor médico de Vacinas e HIV da GSK Brasil.
"Os dados validam a eficácia dos injetáveis de longa ação para este perfil de paciente e representam um passo fundamental no nosso compromisso de aprimorar o cuidado e contribuir para o fim da epidemia de HIV/Aids”, afirma.
Principais resultados
O estudo mostrou que a terapia injetável de longa ação para HIV (cabotegravir + rilpivirina) é mais eficaz que o tratamento oral diário. Em 48 semanas, a taxa de falha terapêutica foi de 22,8% no grupo que recebeu a injeção mensal, contra 41,2% entre os pacientes em terapia oral.
A falha virológica como primeiro evento ocorreu em 3% dos participantes no grupo injetável e em 21% no grupo oral. Já a descontinuação do tratamento foi semelhante entre os grupos: 16% no injetável e 15% no oral.
Em relação à segurança, a incidência de eventos adversos foi parecida (43,5% no grupo injetável e 42,4% no oral). Reações no local da injeção foram comuns, mas levaram à interrupção do tratamento em apenas dois casos.
“Para muitos, a tomada diária de comprimidos é um lembrete constante da doença e uma barreira adicional ligada a estigma e desafios psicossociais. Ter um tratamento injetável, que reduz substancialmente o risco de falha do regime, oferece dignidade e uma chance real de manter a carga viral indetectável para quem mais precisa", comenta Ricardo Diaz, infectologista, pesquisador da Escola de Medicina da Unifesp e presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
O estudo
O estudo Latitude, um ensaio clínico de fase III, randomizado e aberto, avaliou 453 pessoas com HIV que apresentavam dificuldade de adesão ao tratamento oral diário ou histórico de após de abandono da terapia. A média de idade foi de 40 anos, com predominância de participantes negros/afro-americanos (63%), além de 29% de mulheres, 17% de hispânicos e 14% com histórico de uso de drogas injetáveis.
A pesquisa investigou se a terapia injetável de longa ação (cabotegravir + rilpivirina), aplicada mensalmente, poderia reduzir o risco de falha terapêutica em comparação ao tratamento oral diário. Antes da randomização, os participantes receberam suporte à adesão. Aqueles que alcançaram supressão viral foram divididos em dois grupos: um passou a receber o tratamento injetável mensal e o outro manteve a terapia oral diária.