• Porto Velho

    sexta-feira 30 de julho de 2021

RESENHA POLÍTICA


Por Robson Oliveira

15/06/2021 15:50:32 - Atualizado


EMPAREDADO

Oriundo da Polícia Militar de Rondônia, onde alcançou o honroso cargo de Coronel, o governador Marcos Rocha está literalmente emparedado por um movimento liderado agora pelos esposas dos ex-colegas de farda exigindo o cumprimento da promessa de campanha em melhorar os soldos da tropa. Marcos Rocha ascendeu ao Executivo Estadual no vácuo da onda Bolsonarista com o apoio incondicional das forças militares e que encantou a maior fatia dos civis com a pauta “Lei e Ordem”. Virou governador por obra do acaso e enfrenta agora um movimento que ele sabe como ninguém o desgaste que causa a qualquer governador.

DESGASTE

Até três anos atrás Rocha era um coronel afeito às missões burocráticas, sem experiência política, onde ocupou alguns cargos na burocracia estatal. Por jamais ter comandado a própria corporação, não se destacou como liderança entre os oficiais, mas conhece como ninguém os problemas internos da tropa e a defasagem dos soldos. Sabe também que o movimento por melhores soldos capitaneado pelas esposas dos militares sempre causou dores de cabeça aos governadores e também tem consciência de que não conseguindo conter o movimento destas aguerridas senhoras sua autoridade pode sofrer arranhões irremediáveis com repercussão nos civis. Tudo isto há um ano das eleições.

HUMOR

Embora os militares não possam constitucionalmente aderir a movimentos paredistas, em Rondônia, as esposas da tropa sempre assumiram o front da luta em nome dos maridos e os governadores sempre sabiam que qualquer retaliação a estas mulheres vira combustível para que a hierarquia militar seja posta em cheque. Marcos Rocha tem consciência de que é um movimento forte e ganhou tempo para avaliar com a área econômica uma proposta que atenda em parte às reivindicações. A insatisfação com o governo é enorme e a reação das esposas da tropa revela o péssimo humor dos comandados.

ELEIÇÃO

Mesmo que o Governo do Estado consiga conter o movimento e propor um aumento dos soldos a patamares razoáveis que as finanças estaduais suportem, pelas amarras jurídicas em razão da pandemia, o aumento somente poderá entrar na folha em janeiro de 2022. Ano de reeleição.

EFEITO

Não existe ingênuo na política. Qualquer um principiante consegue perceber que aumento a uma categoria, ou mesmo corporação, em ano eleitoral, é a porteira aberta para que outras categorias sigam o mesmo caminho. Uma paralisação pós-pandemia de médicos, enfermeiros, auxiliares, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, entre outros profissionais que colocaram a vida em risco para salvar a vida dos acometidos com o vírus, é um efeito cascata que derruba qualquer governo. E em ano eleitoral o efeito é devastador. Até os ingênuos sabem, caso existam.

VACINAÇÃO

Rondônia aparece todos os dias nos telejornais entre os estados com piores índices de pessoas vacinadas. Proporcionalmente entre os mortos estamos entre os maiores índices. Revelando que uma coisa está intrinsicamente relacionada a outra. O governador que se regozija em ser amigo “siamês” do presidente, não usa a propalada intimidade para conseguir mais vacinas para vacinar o povo rondoniense. E, portanto, continuamos a enterrar nossos cidadãos e amargar os piores índices da pandemia.

PPP

Finalmente a prefeitura da capital abriu a consulta pública para que a população possa opinar e dar as contribuições sobre a contratação de uma empresa para a coleta de resíduos sólidos, através de Parceria Público Privado (PPP). O tratamento do lixo é hoje um dos maiores problemas das administrações municipais e exige uma discussão ampla e transparente para que esse nicho não vire lixo judicial. Os prefeitos têm prazos legais para buscar soluções mais vantajosas para a administração que contemplem as exigências legais. A participação nos debates é fundamental para que depois do processo concluído não venham apenas as lamúrias políticas em virtude da omissão. O prefeito também havia prometido agilizar a PPP do saneamento que, infelizmente, dormita sob a guarda de algum burocrata.

HEURO

O governo anunciou que dará início ao hospital de emergência em Porto Velho para substituir o João Paulo II. A opção é adquirir a unidade hospitalar por meio “built to suit”, meio pelo qual a iniciativa privada realiza o empreendimento de acordo com a necessidade do Poder Público e arca com a manutenção enquanto perdurar o contrato. É uma experiência existente e exitosa em Rondônia, mas exige do gestor muita correção para que não vire um negócio suspeito com prejuízo ao erário. A opção em licitar por esta modalidade também sana um problema nas obras públicas de paralisação, além dos entraves na manutenção quando a conservação da unidade fica sob a responsabilidade da administração pública. Após trinta anos do contrato o bem é incorporado ao estado.

FATURA

Caso consiga colocar em funcionamento o Heuro o mais breve possível, oferecendo atendimento mais digno aos rondonienses, o governador terá pelo menos uma boa e enorme obra para mostrar aos eleitores. O que é justo que fature politicamente com a obra.



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