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    porto velho, terça-feira 13 de janeiro de 2026

Netto constrange o pai ao flertar com o PT, pedágio vergonhoso expõe omissão...


Por Robson Oliveira

13/01/2026 10:06:35 - Atualizado

ANIVERSÁRIO

Nos últimos anos, por razões demais para serem listadas sem enfado, tenho evitado convites de políticos para festas, convescotes e celebrações onde a hipocrisia costuma brindar antes do bolo. Domingo, contudo, abri uma exceção e compareci ao aniversário do prefeito da capital, Léo Moraes (Podemos).

PACIFICADOR

Ao chegar ao clube social da OAB-RO, local da comemoração, deparei-me com uma multidão que sacrificou o fim de semana em família para homenagear o aniversariante. Havia de tudo: deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores. Esquerda e direita dividindo o mesmo espaço, sem gritos, sem xingamentos, sem o histrionismo que infesta as redes sociais e os grupos de WhatsApp. Um fenômeno sociológico raro. Léo Moraes demonstrou, com a própria festa, que ainda é possível divergir politicamente sem se comportar como selvagem.

RESPEITO

Todas as mídias nacionais que avaliam a popularidade dos prefeitos das capitais anunciam índices de aprovação superiores a noventa por cento, obtidos pela alquimia estatística de somar “ótimo”, “bom” e até “regular”, o aniversário ofereceu uma medida mais concreta: Léo é, de fato, respeitado pela maioria da classe política. A popularidade é real.

FUTURO

No discurso improvisado, reconheceu o peso da responsabilidade que carrega, admitiu erros e afirmou tentar corrigi-los com rapidez. Ao final, traído pela empolgação, não resistiu a enviar recados a desafetos bem conhecidos. Nada que comprometesse a noite. A festa foi boa, animada, e o prefeito inicia seu segundo ano de gestão com os dois pés fincados no futuro e de bem com o eleitor.

ALTERNATIVA

Infelizmente para o estado, e felizmente para Porto Velho, Léo Moraes não sinalizou disposição para torrar seu capital eleitoral numa aventura estadual, renunciando ao cargo para disputar o governo. Do ponto de vista eleitoral, seria uma alternativa real à polarização previsível entre Marcos Rogério (PL) e Adaílton Fúria (PSD).

CENÁRIO

Com Léo no páreo, o tabuleiro estadual poderia ser redesenhado, obrigando caciques acomodados a refazer cálculos que hoje tratam a polarização como destino manifesto. Mas o prefeito não piscou até agora em direção ao Palácio Rio Madeira, tampouco sondou discretamente amigos comuns. Ainda assim, a especulação serve ao menos para animar um cenário modorrento.

REJEITADO

Não está claro onde pretende chegar o ex-deputado federal Expedito Neto (PSD) ao plantar notas na mídia sugerindo que o PT o deseja como candidato a governador. A coluna apurou, junto a um dirigente petista respeitado, que foi o próprio Neto quem pediu audiência à Executiva Estadual, pedido prontamente atendido, já que ele se declara eleitor de Lula. Mas não há nada de concreto sobre candidatura a governador.

PERFIL

A eventual candidatura de Expedito Neto, porém, não empolga a militância petista. Quem conhece as entranhas do PT sabe que a legenda costuma rifar quadros históricos desalinhados com a tendência majoritária. Imagine, então, abraçar um político conhecido por arroubos verbais, pouca tolerância a divergências e nenhuma familiaridade com o funcionamento interno do partido. O temperamento que ostenta, confrontado com o do petismo, é nitroglicerina pura.

CONSTRANGIMENTO

Este escriba também ouviu outros dois expoentes petistas. O Diretório Regional não leva a postulação a sério e evitará polemizar publicamente apenas porque o interessado declara voto em Lula. As movimentações de Neto constrangem, na verdade, o pai, Expedito Júnior, presidente do PSD, que trabalha com afinco pela candidatura de Adaílton Fúria. Quem conhece o PT e conhece Neto sabe que essa relação nasce com prazo de validade vencida.

INCOMODADO

A coluna conversou também com Expedito Júnior, presidente do PSD. Foi direto: o filho é maior de idade, tem CPF próprio e age por conta própria. Lamentou, porém, que a flertada pública com o PT gere desgaste político e dissabores familiares. Garantiu que o PSD segue firme com Adaílton Fúria e que os movimentos do filho incomodam, mas não interferem na estratégia do partido.

PRESIDÊNCIA

Expedito Júnior adiantou ainda que o PSD deve indicar candidato próprio à Presidência da República, com nomes como Tarcísio de Freitas ou Ratinho Júnior. Quem for o ungido nacionalmente será também o presidenciável de Adaílton Fúria em Rondônia. Lula, definitivamente, não está nos planos do PSD local.

PEDIGREE

A adesão inusitada do ex-parlamentar aos quadros da esquerda faz sangrar a candidatura direitista de Fúria não apenas pelo gesto em si, mas pelo simbolismo. Trata-se de alguém que presidiu o PSD até dias atrás e, detalhe nada irrelevante, é filho de quem é. Em política, pedigree pesa. Às vezes, mais do que ideias.

ÓDIO

Não é segredo para ninguém que o PT rondoniense mantém uma relação quase uterina com o empresário da Cascavel, Acir Gurgacz (PDT). Este, por sua vez, cultiva um ódio mortal por Expedito Júnior e não aceitará, em hipótese alguma, que a frente de esquerda seja representada justamente pelo rebento do desafeto a quem atribui, com fervor quase religioso, a responsabilidade por todos os infortúnios penais que passou a enfrentar a partir de 2018.

PEDÁGIO

Todos desejam que a BR-364 seja uma via expressa capaz de suportar um volume de tráfego muito maior do que aquele de quarenta anos atrás, quando foi inaugurada. É evidente que não há recursos disponíveis para investimentos volumosos em infraestrutura, especialmente em uma rodovia cravada entre rios e floresta, como é a velha 364 que corta Rondônia ao meio. A restauração da 364, com a cobrança de pedágio, era algo inevitável para que a iniciativa privada pudesse aportar os recursos de que o Tesouro Nacional não dispõe. Até aí, nada contra. A privatização, com a adoção do pedágio, era a única opção viável no cenário atual.

PROMESSA

O que está ocorrendo em Rondônia, contudo, é bem diferente do que se viu na privatização de rodovias em outros estados. A Nova 364 passou a cobrar pedágio antes de realizar as obras de duplicação e restauração. Isso significa que os recursos pagos nas praças de pedágio é que deverão formar o caixa necessário para a execução das obras. Em bom português, começamos a pagar por uma via expressa segura, com duplicação e restauração, sem que nada disso tenha sido entregue. O consórcio recebe antecipadamente, sustentado apenas pela promessa de executar os serviços no futuro.

AÇÃO

A cobrança e os valores do pedágio são tão vergonhosos que provocaram reação dos rondonienses e causaram desgaste nos membros da bancada federal, omissa no processo e incompetente na ação. O que se vê são políticos medíocres se esquivando de responsabilidades e culpando terceiros como estratégia para enganar o eleitor. Como estamos em ano eleitoral, é hora de cobrar vergonha na cara e mandar essa bancada para casa. É a única ação que resta ao contribuinte enganado.

FICA

Como previsto por esta coluna ainda em novembro passado, o governador Marcos Rocha declarou publicamente, pela primeira vez, no programa de TV do jornalista Everton Leoni, que deverá permanecer no governo, recuando da pré-candidatura ao Senado Federal. A previsão estava assentada em premissas e observações sólidas, construídas ao longo do tempo, a partir das quais fomos formando opiniões e percepções consistentes.

MILAGRE

Mesmo reconhecendo que não pretende entregar o governo a quem o traiu, Marcos Rocha deixou uma pequena fresta para um futuro incerto ao admitir que poderá voltar a cogitar uma candidatura ao Senado se for da “vontade de Deus”. Para decifrar o milagre — ser candidato e, ao mesmo tempo, não entregar o governo a quem o traiu — só restam duas hipóteses: algum contratempo jurídico que impeça o vice de assumir a titularidade ou, quem sabe, um castigo dos céus. Há quem acredite em milagres. O governador é um exemplo.

ACABOU

A decisão de Marcos Rocha não prejudica apenas os planos iniciais da esposa e do irmão, que pretendiam disputar, respectivamente, as vagas de deputada federal e deputado estadual. Ela praticamente sepulta a pré-candidatura do vice-governador Sérgio Gonçalves. Sem a máquina na mão, Sérgio — que nunca foi um líder político — não tem nada a oferecer aos partidos nem aos candidatos numa disputa cara e competitiva. O sonho de o vice-governador chegar ao comando do Palácio acabou ontem. Em poucos dias, os que ainda orbitam ao seu redor devem começar a evitá-lo e seguir em busca de candidaturas sólidas e viáveis.


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