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    porto velho, terça-feira 3 de março de 2026

Indícios de abuso sexual surgem em investigação na morte de adolescente torturada

A delegada relatou ainda que o pai foi descrito como ciumento e que a adolescente teria sido retirada da escola há quase três anos com o argumento, considerado falso...


Redação

Publicada em: 03/03/2026 16:25:09 - Atualizado

Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos — Foto: Mateus Santos/g1

PORTO VELHO, RO - A Polícia Civil de Rondônia informou, durante coletiva realizada na manhã desta terça-feira (3), que o inquérito sobre a morte da adolescente Marta Isabelle, de 16 anos, reúne elementos que indicam a possibilidade de ela também ter sido vítima de abusos sexuais, além de ter sido mantida em cárcere e torturada até morrer por familiares. A delegada Leisaloma Carvalho afirmou que a jovem, que deveria estar protegida em casa, sofreu uma sequência de crimes e passou por um processo de sofrimento descrito como lento e gradual.

A investigação é conduzida pela Delegacia de Homicídios de Porto Velho e o caso é tratado como feminicídio, com apuração paralela de crimes como cárcere privado e tortura. 

Segundo a polícia, são investigados o pai, Callebe José da Silva, a madrasta, Ivanice Farias de Souza, e a avó paterna, Benedita Maria da Silva, que foi presa sob a alegação de que tinha conhecimento do que ocorria e não comunicou às autoridades.

De acordo com as informações apresentadas, a adolescente foi encontrada deitada em uma cama, coberta por um lençol e usando fralda descartável. 

O laudo inicial apontou desnutrição, ossos expostos, ferimentos com presença de larvas e marcas que indicariam que ela passou dias imobilizada.

A apuração também indicou que o pai e a madrasta a mantinham amarrada com fios, a obrigavam a comer restos de comida e a deixavam sem água para beber e sem condições mínimas de higiene. 

Mesmo com ferimentos em estado grave, ela não teria recebido atendimento médico. 

A delegada relatou ainda que o pai foi descrito como ciumento e que a adolescente teria sido retirada da escola há quase três anos com o argumento, considerado falso, de que seria transferida para a Paraíba, o que teria contribuído para seu isolamento e a perda de convívio social. 

Segundo a delegada, a jovem era punida com frequência, inclusive sem motivo aparente.


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