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porto velho, quinta-feira 23 de abril de 2026
DENÚNCIA
Cerca de 50 trabalhadores da empresa Amazonbio, do Grupo BBF, responsável pelas Unidades Termoelétricas (UTEs) que atendem os distritos do Baixo Madeira, denunciam graves irregularidades trabalhistas desde o fim de 2025. Segundo a categoria, há atrasos salariais, pagamentos incorretos e pendências de quinzenas.
DESTRAÍDO
Na largada da pré-campanha ao Senado, Bruno Scheid (PL) escolheu um tema sensível e popular: o pedágio na BR-364, classificado por ele como “extorsão”. O tom duro dialoga com a insatisfação generalizada da população, mas pode esconder uma contradição incômoda dentro do próprio grupo político que o abriga. Afinal, a implantação do pedágio não surgiu do nada - avançou nos trâmites federais sob o olhar, no mínimo distraído, da bancada de Rondônia em Brasília.
DISCURSOS
Quando o problema ainda era projeto, silêncio. Nenhum alerta consistente ao setor produtivo, nenhuma mobilização relevante, nenhuma reação proporcional ao impacto que agora todos dizem combater. O tema caminhou nos gabinetes, amadureceu nos órgãos federais e só ganhou indignação pública quando já estava praticamente consolidado. A partir daí, iniciou-se um previsível festival de discursos tardios.
CASQUINHA
Agora, com o desgaste instalado, o pedágio virou bandeira eleitoral. Cada parlamentar tenta tirar sua “casquinha”, enquanto convenientemente omite a própria omissão. No entorno de Scheid, há nomes que acompanharam - ou deveriam ter acompanhado - toda a tramitação e nada fizeram. Esses atores dificilmente escaparão da cobrança durante a campanha, porque o eleitor começa a perceber o abismo entre discurso e prática.
DANOS
O caso expõe um padrão recorrente: a política reage ao problema pronto, mas raramente o antecipa. O senador Confúcio Moura, por exemplo, sentiu o peso da repercussão negativa após tratar o tema com sarcasmo nas redes sociais. Recuou e passou a falar em revisão das tarifas, mas, até aqui, sem efeitos concretos. O gesto soa mais como contenção de danos do que como solução efetiva.
DESCONECTADOS
Já o senador Jaime Bagattoli, também do PL, adotou uma postura ainda mais discreta. Depois de alguns discursos protocolares, o tema praticamente desapareceu de sua agenda pública, reforçando a percepção de falta de protagonismo. Enquanto isso, outros parlamentares insistem em discursos genéricos - muitos voltados a pautas nacionais -, mas poucos conectadas às demandas de Rondônia.
COERÊNCIA
No fim das contas, o pedágio da BR-364 se transforma em símbolo de algo maior: a distância entre representação política e responsabilidade prática. Não há narrativa que apague o fato de que o processo ocorreu sob a vigilância - ou a ausência dela - de quem hoje tenta capitalizar eleitoralmente o descontentamento popular. O eleitor, cada vez mais atento, tende a cobrar não apenas posicionamentos, mas coerência. Bruno Sheid vai a campanha pela primeira vez com o epíteto de Zero Cinco, não o subestimem, ele pode deixar concorrente com a touca na mão.
TOM
A pré-campanha ao governo de Rondônia começou em tom de aparente leveza, mas com recados claros nas entrelinhas. O ex-prefeito de Cacoal, Fúria, recorreu às redes sociais para ironizar um vídeo antigo em que aparece ao lado de Jair Bolsonaro, recebendo incentivo político. A tentativa de remoção judicial do conteúdo por senador Marcos Rogério acabou surtindo efeito contrário: virou combustível para mais provocações e ampliou a exposição do episódio.
ALFINETANDO
No mesmo tabuleiro, Hildon Chaves adotou uma linha mais sutil, porém igualmente incisiva. Em entrevista, elogiou a gestão de Fúria, mas tratou de enquadrá-lo como “novo demais”, destacando a suposta falta de experiência para governar o Estado. A crítica, travestida de conselho, escancara a disputa por espaço entre nomes que tentam se apresentar como alternativas viáveis.
PREVISÍVEL
Já Expedito Neto do PT mantém uma estratégia previsível: a defesa enfática do governo Luiz Inácio Lula da Silva e de suas ações no estado. Em tom agressivo, não perde oportunidade de alfinetar adversários, especialmente os ligados ao PL, reforçando a polarização nacional no cenário local. Quem o conhece sabe que na campanha vai distribuir caneladas para todos os concorrentes.
RETÓRICA
Por sua vez, Samuel Costa, agora no PSB após transitar pela Rede, segue com discurso ideológico mais marcado, insistindo na narrativa de confronto entre classes. A retórica de “nós contra eles” permanece como eixo central, mirando o eleitorado de esquerda e tentando consolidar identidade em meio à fragmentação do campo progressista. A maioria da esquerda rondoniense não lhe suporta.
NARRATIVAS
O início da corrida eleitoral, ainda que embalado por ironias e indiretas, revela um cenário de disputa intensa, onde cada gesto - até mesmo um vídeo antigo - pode se transformar em arma política. Por trás do humor, o que se desenha é uma batalha estratégica por narrativa, protagonismo e memória do eleitor. Nas mídias digitais o tom da campanha está definida. E é lá que o pau vai cantar.
LIXO
Mais uma troca no comando da coleta de lixo em Porto Velho escancara a desorganização administrativa em um serviço essencial. Após a retirada da Marquise - empresa que, sem grandes sobressaltos, mantinha a limpeza urbana - por determinação do Tribunal de Contas do Estado, que apontou falhas na licitação, o município entrou em um ciclo de instabilidade. Desde então, as empresas convocadas em caráter emergencial acumulam problemas, enquanto a solução definitiva segue travada no Judiciário.
TAPEAÇÃO
A cada nova substituição, aumenta a insegurança sobre a continuidade e a qualidade do serviço, e a população paga a conta. O processo original, vencido pela própria Marquise, permanece sub judice, andando a passos lentos, enquanto contratos provisórios tentam tapar o sol com a peneira. Agora, a terceira colocada assume sem conhecer as peculiaridades de uma capital que inclui distritos e comunidades ribeirinhas, o que exige logística complexa e experiência comprovada. Uma comissão de fiscalização da edilidade visitou a empresa e, a princípio, não encontrou anormalidades. Mas a preciso aguardar a coleta.
IMPROVISOS
O risco é claro e já conhecido: o retorno de cenas de lixo acumulado nas ruas e calçadas, como ocorreu em episódios recentes. Sem planejamento sólido e com decisões empurradas pela via judicial, a gestão municipal segue refém de soluções improvisadas. Enquanto isso, áreas centrais como a Sete de Setembro já dão sinais de abandono, reforçando a percepção de que o problema está longe de ser resolvido. Um setor vital a saúde pública que funcionava a contente e que virou um problema insolúvel por falta sensibilidade das autoridades e os improvisos idiotas.