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porto velho, segunda-feira 20 de abril de 2026

PORTO VELHO (RO) — O avanço do calendário eleitoral em Rondônia traz de volta um velho enredo: candidaturas que tentam acelerar reconhecimento público por meio de estratégias de marketing, nem sempre acompanhadas de densidade política. O pré-candidato ao Senado pelo PL, Bruno Scheidt, tem intensificado agendas no interior do estado numa tentativa de ampliar visibilidade, ainda limitada tanto fora quanto dentro da capital.
Com baixa capilaridade eleitoral e trajetória pouco conhecida do grande público, Scheidt adotou uma estratégia já testada em outros cenários: passou a se apresentar como “Bruno Bolsonaro”, numa associação direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A tática busca gerar identificação imediata, mas não elimina uma exigência central do processo democrático: o eleitor quer saber quem é o candidato para além do nome que escolhe usar.
A disputa pelo Senado, em especial, impõe um filtro mais rigoroso. Não se trata apenas de ocupar um cargo de visibilidade, mas de exercer uma função que exige preparo intelectual, domínio de temas nacionais, capacidade de articulação e compreensão institucional. É no Senado que passam debates complexos sobre economia, Constituição, relações entre Poderes e políticas públicas de longo alcance — um ambiente que não se sustenta apenas com slogans ou vínculos simbólicos.
Nos últimos ciclos, o eleitor rondoniense tem demonstrado maior atenção e acesso à informação, sobretudo em centros urbanos e polos universitários. Esse cenário reduz o espaço para candidaturas ancoradas exclusivamente em marketing político ou em associações de conveniência.
Diante disso, o alerta é direto: o voto em Rondônia não pode ser guiado apenas por identificação superficial. Nome, proximidade ideológica ou estratégia de comunicação não substituem trajetória, preparo e consistência. Em uma eleição para o Senado, onde as decisões repercutem diretamente na estrutura do país, o eleitor é chamado a um papel mais exigente — e menos tolerante a atalhos.