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porto velho, quinta-feira 25 de junho de 2026

CACOAL (RO) – Os primeiros meses da administração de Tony Pablo-PSD, em Cacoal, começam a evidenciar um desafio que vai além da gestão administrativa: a dificuldade de construir e preservar alianças políticas.
Depois do distanciamento e possível traição contra o ex-prefeito Adaílton Fúria-PSD, seu principal fiador político, a relação com a Câmara Municipal também entrou em uma zona de turbulência, reforçando a percepção de que o prefeito que vive enfiado em polêmica mais do que governa, enfrenta um crescente isolamento no cenário local.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que Tony Pablo ainda conduz a Prefeitura com uma postura coronel, rígida para a dinâmica da política. Embora seja reconhecido pela capacidade técnica e pela segurança com que defende suas posições, falta-lhe, segundo essa avaliação, a habilidade e jogo de cintura para transformar divergências em entendimento e adversários em parceiros de governo.
A experiência demonstra que administrar um município exige muito mais do que conhecimento jurídico. Exige diálogo constante, capacidade de negociação e disposição para construir convergências, sobretudo quando Executivo e Legislativo precisam caminhar lado a lado.
O rompimento com Adaílton Fúria-PSD representou o primeiro grande desgaste da atual gestão e deixou um rastro do chamado ditado “Cuspiu no prato que comeu”. Agora, o ambiente de tensão também alcança o Parlamento municipal, ampliando o número de frentes de conflito e reduzindo a margem política do prefeito para conduzir projetos de maior alcance.
Outro aspecto que chama a atenção é que, passados os primeiros meses de governo, ainda não se percebe uma identidade administrativa claramente definida. Para muitos moradores, Cacoal continua funcionando sob a estrutura deixada pela gestão anterior, sem mudanças significativas que permitam identificar uma nova marca de governo.
Enquanto isso, Tony Pablo permanece frequentemente no debate político por causa das polêmicas e dos embates públicos, mas sem o conteúdo obrigatório de gestor exigido pela população. A avaliação de observadores é que o prefeito tem ocupado mais espaço com declarações e respostas aos críticos do que com iniciativas capazes de imprimir um novo ritmo à administração municipal.
Na política, firmeza é uma virtude, mas inflexibilidade costuma produzir efeitos contrários aos desejados. Prefeitos dependem de uma base de sustentação, do diálogo com vereadores e da construção permanente de entendimentos para garantir governabilidade e transformar projetos em realidade.
Sem essa capacidade de articulação, o risco é que o governo permaneça consumido pelas disputas políticas e pelas picuinhas paroquiais, enquanto a população aguarda resultados mais concretos da atual administração.
No fim das contas, a política raramente premia quem fala mais alto ou quem fala demais. Costuma favorecer quem consegue reunir pessoas em torno de objetivos comuns. E, até aqui, esse parece ser o maior desafio da gestão Tony Pablo que precisa agir mais administrativamente do que se enfiar em polêmicas sem fim.