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    porto velho, sexta-feira 6 de março de 2026

Vorcaro insinua em mensagens que tem poder sobre Moraes e o inquerito das Fake News

O chamado inquérito das fake news é conduzido no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.


Redação

Publicada em: 05/03/2026 17:24:24 - Atualizado


De acordo com reportagem do Poder360, diálogos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mostram o empresário reagindo a reportagens do site Diário do Centro do Mundo com uma ameaça direta: usar o chamado inquérito das fake news contra o portal.

Em uma das mensagens citadas pela investigação, Vorcaro afirma que o site “vai entrar no processo de fake news” e chega a dizer que poderia “fechar esse site”. A fala chama atenção não apenas pelo tom intimidatório, mas principalmente pela aparente convicção de que teria meios para provocar ou influenciar a abertura de um procedimento no Supremo.

O chamado inquérito das fake news é conduzido no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Justamente por isso, o conteúdo das mensagens levanta questionamentos incômodos: por que um banqueiro falaria com tanta segurança sobre acionar esse mecanismo? E mais: de onde viria a percepção de que teria capacidade de provocar consequências judiciais dessa magnitude contra um veículo de imprensa?

A situação expõe um problema delicado. Se as mensagens refletem apenas bravatas de um empresário irritado com críticas, o episódio já seria preocupante por representar uma tentativa de intimidar a imprensa. Mas, se por trás dessa confiança existir a crença de proximidade ou influência sobre decisões judiciais, o cenário se torna ainda mais grave.

Em uma democracia, inquéritos judiciais não podem ser vistos como instrumentos que podem ser acionados por interesses privados para pressionar veículos de comunicação. A simples impressão de que alguém acredita ter esse tipo de poder já é suficiente para gerar desconfiança pública.

O episódio também reacende o debate sobre os limites e a transparência do inquérito das fake news, que desde sua criação vem sendo alvo de críticas por concentrar investigação, acusação e decisão dentro do próprio Supremo.

No fim das contas, as mensagens atribuídas a Vorcaro não atingem apenas um site específico. Elas levantam uma dúvida maior e mais sensível: se um empresário acredita poder acionar um inquérito no STF contra quem o critica, isso diz muito sobre como parte da elite econômica enxerga sua relação com o poder. E essa percepção, por si só, já deveria ser motivo suficiente para uma profunda reflexão institucional.


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