Fundado em 11/10/2001
porto velho, segunda-feira 14 de setembro de 2026

A Polícia Federal realizou nesta segunda-feira (14) a terceira fase da Operação Transparência, que investiga um grupo suspeito de negociar pagamentos em troca de uma suposta influência sobre decisões judiciais. Ao todo, quatro mandados de busca e apreensão são cumpridos no Distrito Federal e em São Paulo.
As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) . Segundo a PF, os investigados teriam negociado com terceiros o pagamento de valores expressivos que estariam condicionados ao resultado de processos em tramitação no Judiciário.
Os suspeitos teriam afirmado possuir influência sobre decisões judiciais e usado essa suposta proximidade como argumento para cobrar os pagamentos. A investigação apura possíveis crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A PF não informou os nomes dos alvos, os endereços das buscas nem os valores que teriam sido negociados. Também não há, nesta fase, informação sobre o cumprimento de mandados de prisão.
De acordo com a Polícia Federal, integrantes do grupo teriam negociado valores com terceiros sob a promessa de que poderiam interferir no resultado de processos judiciais.
A suspeita é que os investigados tenham usado uma suposta proximidade com autoridades ou integrantes do sistema de Justiça para convencer outras pessoas de que seriam capazes de influenciar decisões.
A investigação ainda precisa esclarecer se houve efetivamente pagamento de valores, quais seriam os processos envolvidos e até que ponto cada um dos suspeitos participou das negociações.
As buscas realizadas nesta segunda-feira têm justamente o objetivo de encontrar documentos, celulares, computadores e outros elementos que possam ajudar os investigadores a reconstruir a atuação do grupo.
A Polícia Federal fez uma ressalva sobre um ponto importante da investigação. Até o momento, não foram encontrados elementos que indiquem a participação de integrantes do Poder Judiciário nos fatos apurados, segundo a corporação.
Isso significa que a suspeita investigada é de que pessoas tenham alegado possuir influência sobre decisões judiciais para negociar pagamentos. Contudo, a existência dessa suposta influência não significa que magistrados ou outros integrantes do Judiciário tenham participado das negociações.
A PF ainda analisa as provas para verificar se houve prática dos crimes investigados e qual foi a responsabilidade individual de cada alvo.
Entre os crimes apurados estão a exploração de prestígio e o tráfico de influência.
A exploração de prestígio ocorre quando alguém solicita ou recebe uma vantagem sob o pretexto de influenciar uma autoridade, juiz, jurado, membro do Ministério Público, funcionário da Justiça ou outra pessoa ligada ao sistema judicial.
Já o tráfico de influência está relacionado à obtenção ou cobrança de vantagem sob a alegação de que seria possível influenciar um ato praticado por funcionário público.
No caso investigado pela Operação Transparência, a PF apura se os suspeitos utilizaram justamente esse tipo de promessa para negociar valores.