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porto velho, domingo 4 de outubro de 2026

O que parecia, há alguns meses, ser apenas uma onda regional começa a ganhar contornos nacionais. As últimas pesquisas eleitorais divulgadas às vésperas do primeiro turno de 2026 mostram um crescimento da força política da direita em diferentes pontos do mapa brasileiro.
De São Paulo ao Distrito Federal, passando por Minas Gerais, Paraná e Goiás, os números revelam candidatos identificados com a direita ou com o campo conservador ocupando posições de destaque. No plano nacional, a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro chegou à reta final praticamente em situação de empate técnico.
Segundo o Datafolha divulgado neste sábado, Lula aparece com 45% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro registra 42%. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Ou seja: matematicamente, os dois estão dentro da margem de erro da pesquisa. C
A expressão “tsunami” pode parecer exagerada à primeira vista. Mas há um elemento que ajuda a explicar por que ela passou a aparecer no debate político: a direita não está mais restrita a uma única região ou a um único candidato.
Em São Paulo, o fenômeno é particularmente evidente.
O governador Tarcísio de Freitas aparece com 60% dos votos válidos contra 35% de Fernando Haddad na pesquisa Datafolha divulgada neste sábado. O resultado coloca Tarcísio em posição de vitória no primeiro turno, caso os números se confirmem nas urnas.
Mais do que isso: a disputa presidencial também mostra força da direita paulista. Em levantamento anterior, Flávio Bolsonaro chegou a aparecer numericamente à frente de Lula no estado, com 47% contra 42% em um eventual segundo turno.
São Paulo, portanto, deixou de ser apenas um reduto eleitoral importante. Tornou-se um dos principais centros de gravidade da direita brasileira.
Minas Gerais é outro capítulo importante.
O estado historicamente é tratado como um dos grandes termômetros eleitorais do Brasil. E, embora Lula ainda apareça à frente em alguns levantamentos, a vantagem sobre Flávio Bolsonaro diminuiu a ponto de produzir empate técnico em cenários recentes.
Em pesquisa Datafolha de agosto, Lula aparecia com 46% contra 42% de Flávio em um eventual segundo turno no estado. No primeiro turno, os dois também apareciam isolados na frente, com 37% e 31%, respectivamente.
Ao mesmo tempo, a disputa pelo governo mineiro apresenta um cenário pulverizado, com candidatos de diferentes campos políticos brigando voto a voto. A pesquisa Quaest citada pela CNN mostra Sávio com 22% dos votos válidos, seguido por Viana e Marília, com 18% cada, e Aécio com 17%.
A mensagem política é clara: Minas não está mais eleitoralmente confortável para nenhum dos lados.
No Centro-Oeste, os sinais são ainda mais evidentes.
No Distrito Federal, a disputa para o Senado apresenta Michelle Bolsonaro com 31% dos votos válidos, à frente de Leila Barros, com 27%, e Bia Kicis, com 24%, segundo a Quaest. Na corrida pelo governo do DF, Celina Leão aparece com impressionantes 55% dos votos válidos, contra 27% de Leandro Grass no Datafolha. CCNN BrasilGoiás também apresenta um eleitorado bastante competitivo para a direita. Em agosto, Ronaldo Caiado aparecia com 32% para presidente, seguido por Flávio Bolsonaro, com 27%, enquanto Lula registrava 20%. C
Os números não significam que todo o Centro-Oeste esteja automaticamente fechado com a direita. Mas demonstram algo importante: o campo conservador possui hoje candidatos competitivos, estruturas regionais e capacidade de disputar as principais cadeiras do poder.
Se existe uma região onde o crescimento da direita já não surpreende, é o Sul.
No Paraná, pesquisa Genial/Quaest apontou Flávio Bolsonaro com 42%, contra 24% de Lula no primeiro turno.
Em levantamento anterior da Quaest realizado em dez estados, Flávio também aparecia à frente de Lula no Paraná e no Rio Grande do Sul, além de registrar vantagem no Rio de Janeiro e empate técnico em São Paulo e Minas Gerais. C
Isso mostra que o fenômeno não é exclusivamente paulista.
Existe um corredor eleitoral conservador que vai do Sul ao Sudeste e alcança partes importantes do Centro-Oeste.
É justamente aqui que a expressão “tsunami” precisa ser analisada com cuidado.
O Nordeste continua sendo a principal fortaleza eleitoral de Lula. Em Pernambuco, por exemplo, pesquisa Quaest de agosto mostrava o presidente com 54% das intenções de voto para o primeiro turno, contra 19% de Flávio Bolsonaro. C
Mas isso não significa que a direita esteja ausente da região.
A própria disputa estadual demonstra que o eleitorado nordestino não pode ser tratado como um bloco monolítico. Em Pernambuco, por exemplo, Raquel Lyra aparecia à frente de João Campos em cenário de primeiro turno para o governo estadual, com 43% contra 37%, dentro da margem de erro. C
Portanto, o movimento mais importante não é afirmar que a direita “tomou” o Nordeste.
É perceber que a hegemonia histórica da esquerda começa a enfrentar disputas mais competitivas em diferentes níveis da política regional.
O mesmo raciocínio vale para a Região Norte.
Levantamento da Quaest divulgado em setembro apontou Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 35% no primeiro turno no Pará. C
Cinco pontos de diferença não significam vitória da direita. Mas representam algo politicamente relevante: a distância entre os dois campos diminuiu em um estado importante da Amazônia.
E quando esse tipo de movimento aparece simultaneamente em diferentes regiões, o cenário nacional começa a adquirir outra configuração.
Talvez seja esse o ponto central das últimas pesquisas.
A direita brasileira não depende mais exclusivamente de um único estado, de uma única liderança ou de uma única eleição.
Ela apresenta candidatos competitivos à Presidência, governos estaduais, Senado e Câmara.
Flávio Bolsonaro chega à véspera do primeiro turno com 42% dos votos válidos, apenas três pontos atrás de Lula. Tarcísio tem 60% em São Paulo. Michelle lidera a disputa pelo Senado no Distrito Federal. Candidatos conservadores disputam espaços importantes em Minas, Goiás e Paraná.
Ao mesmo tempo, Lula mantém uma base extremamente sólida, sobretudo entre eleitores do Nordeste e determinados segmentos sociais.
Portanto, não se trata de dizer que a eleição já está decidida.
Muito pelo contrário.
Existe ainda uma variável que muitas vezes fica escondida quando a discussão se limita à eleição presidencial.
Mesmo que Lula termine o primeiro turno à frente, a expansão de candidaturas de direita e centro-direita pode produzir uma transformação ainda maior no Congresso Nacional.
Senadores, deputados federais e governadores podem formar uma nova correlação de forças a partir de 2027.
É aí que a eleição de 2026 pode produzir seu efeito mais profundo.
Porque o fenômeno não precisa necessariamente resultar em uma vitória presidencial da direita para representar uma mudança no equilíbrio de poder.
Pode acontecer pela multiplicação de bancadas, governos estaduais e lideranças regionais.