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porto velho, sexta-feira 9 de janeiro de 2026

PORTO VELHO - RO - A movimentação nos bastidores do União Brasil, em Brasília, ganhou contornos de disputa interna aberta e já produz efeitos diretos sobre o tabuleiro de 2026 em Rondônia.
Nos últimos tempos. o deputado federal Maurício Carvalho-UB, intensificou a articulação para viabilizar o nome da irmã, Mariana Carvalho, como candidata ao Senado, movimento que colide frontalmente com o projeto de poder do governador Marcos Rocha-UB, de assumir o controle político da federação União-Progressistas no estado e, com margem de segurança, uma das vagas ao senado.
A ofensiva de Maurício Carvalho não é improvisada. Ela se sustenta em um capital político construído diretamente junto à cúpula nacional do União Brasil, especialmente na relação próxima com Antônio Rueda, presidente nacional da legenda. Essa proximidade extrapola o discurso institucional e cai no campo pessoal: Em 2025, Maurício integrou uma viagem à Europa em comemoração ao aniversário de Rueda, gesto reservado a quadros de alta confiança e prestígio dentro do partido.
Mesmo com atuação apagada em Rondônia, esse trânsito livre de Carvalho, na capital federal, é garantia real nas decisões estratégicas da sigla, pelo menos até o momento. É ele quem, hoje, detém a chave para decidir se entra ou não na disputa pelo Governo de Rondônia, condicionando alianças, chapas e arranjos regionais. Ao mesmo tempo, esse mesmo capital não tem sido suficiente para alterar uma decisão já amadurecida internamente: a Câmara dos Deputados deixou de ser o seu principal objetivo eleitoral nesse próximo ciclo.
O avanço do projeto da ex-deputada Mariana Carvalho-UB ao Senado, patrocinado diretamente pelo irmão, funciona como um obstáculo direto ao plano de Marcos Rocha de manter som segurança sua pretensão. O governador trabalha para consolidar a federação União/PP sob sua liderança, com controle das indicações majoritárias e da estratégia eleitoral no estado. A ascensão de um polo autônomo dentro do União Brasil, com força nacional e agenda própria, enfraquece esse desenho e limita a margem de manobra do Palácio Rio Madeira.
Na prática, o União Brasil está rachado em Rondônia e passa a operar em duas frentes: uma alinhada ao projeto de poder estadual de Marcos Rocha ao Senado, e a outra ancorada na força nacional de Maurício Carvalho. A disputa não é apenas por nomes, mas por comando, influência e definição de rumos. E, neste momento, o deputado federal joga com vantagem em Brasília, enquanto o governador tenta manter hegemonia no território rondoniense.
Com inúmeras entregas sendo feitas do Estado, Rocha é forte candidato ao Senado e, sabendo disso, Maurício põe o dedo no suspiro em Brasília e atrapalha a pretensão do governante, cuja atuação, no geral, vem sendo bem recebida no estado.
O resultado dessa queda de braço, com Maurício hoje em vantagem perante Rocha, deve definir não apenas quem estará na disputa majoritária em 2026, mas quem, de fato, dará as cartas dentro da federação no estado. O jogo está em curso — mas muito longe de um desfecho pacífico.