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porto velho, segunda-feira 12 de janeiro de 2026

PORTO VELHO - RO -A política de Rondônia vive um paradoxo incômodo: muito ruído nos bastidores e quase nenhum resultado concreto para as eleições deste ano.
Enquanto pré-candidatos ensaiam movimentos calculados, o estado segue mal representado em Brasília, atolado em uma bancada federal que, salvo o trabalho da deputada federal Sílvia Cristina-PP, permanece confinada ao baixo clero do Congresso, invisível entre os 513 deputados e irrelevante nas grandes decisões do país e do próprio estado.
Não há liderança, não há protagonismo, não há agenda. Rondônia não pauta, apenas acompanha o estalo da boiada. Seus parlamentares orbitam comissões secundárias, fazem discursos protocolares, para registro no Programa A Voz do Brasil e voltam para casa se gabando de emendas como se fossem feitos históricos, mas no jogo pesado da política nacional, o estado apenas assiste de fora — como figurante.
Nesse cenário, somente Sílvia Cristina aparece com movimento definido rumo ao Senado. O restante da bancada, desgastado por uma atuação medíocre, apagada e sem densidade política, carrega o risco real de não sobreviver ao crivo das urnas de outubro. O eleitor começa a perceber que Rondônia enviou representantes que pouco ou nada entregaram em termos de influência, articulação ou defesa estratégica dos interesses regionais.
O governador Marcos Rocha-UB, por sua vez, não fez nenhum pronunciamento oficial que desistirá da disputa a Senatoria da República e permanece em compasso de espera, observando os passos dos senadores Confúcio Moura-MDB e Marcos Rogério-PL. A decisão de ambos — se disputam ou não a reeleição — é a chave que destrava ou paralisa o tabuleiro estadual. Sem essa definição, Rocha evita expor suas cartas.
Na mesma armadilha está o deputado Fernando Máximo-UB, cuja ambição ao Senado depende diretamente do movimento de Marcos Rogério dentro do PL. Sem vaga clara, não há salto. Sem salto, resta o improviso.
Já o ex-prefeito Hildon Chaves, apressado em se lançar logo ao governo, agora segue observando de longe, tentando identificar onde o vácuo será maior: no governo ou no Senado. A indefinição alheia dita seu próprio caminho, revelando um traço recorrente da política local — ninguém lidera, todos aguardam.
Esse emaranhado de dependências expõe uma verdade incômoda: Rondônia não vive um excesso de projetos, mas uma escassez de coragem política. O estado está preso a cálculos pessoais, acordos de bastidor e lideranças que só se movem quando o terreno já está seguro. O resultado é um processo eleitoral morno, previsível e desconectado das reais demandas da população.
Mas há um fator novo no horizonte: o desgaste acumulado da bancada federal. A percepção de irrelevância em Brasília pode produzir, em 2026, uma ruptura silenciosa. O eleitor, cansado de representantes decorativos, pode optar por uma renovação ampla, varrendo nomes conhecidos que passaram anos ocupando cadeiras sem ocupar espaço político, dando vez a lideranças de nomes expressivos do passado, como Amir Lando, Valdir Raupp e outros...
Se essa leitura se confirmar, o próximo pleito pode marcar não apenas a troca de nomes, mas uma reconfiguração completa da representação rondoniense, abrindo espaço para novatos, 'outsiders', debutantes da política, novos discursos e uma cobrança mais dura por resultados reais que os atuais não entregaram.
O tempo do mandato automático parece chegar ao fim. E, desta vez, o silêncio de Brasília da bancada, pode custar caro nas urnas.