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porto velho, terça-feira 13 de janeiro de 2026

PORTO VELHO - RO - A antecipação do debate eleitoral em Rondônia para 2026 começa a revelar um velho roteiro da política local: candidaturas lançadas como balões de ensaio, infladas no noticiário, mas sem lastro político, social ou histórico para se manterem no ar. São projetos que surgem mais como teste de ambiente do que como alternativas reais de poder — e que, em muitos casos, já nascem politicamente inviáveis.
Nesse cenário se enquadram as movimentações que tentam colocar o deputado federal Maurício Carvalho-UB e ex-deputado Expedito Netto-PSD, que teve atuação apagada como deputado federal, como nomes ao Governo do Estado, além da tentativa de projeção do deputado estadual Rodrigo Camargo-REPU para uma vaga no Senado. Em comum, essas postulações carregam mais ruído do que densidade política.
No caso de Maurício Carvalho, o descompasso entre o cargo que ocupa e a liderança que efetivamente exerce é evidente. Apesar de ostentar o título de líder da bancada federal de Rondônia, sua atuação no mandato é marcada por baixa presença em temas estruturantes do estado, justamente aqueles que definem protagonismo político e capacidade de articulação nacional.
No caso da cobrança de pedágio da BR-364, na condição de líder da bancada federal em Maurício, não fez articulação prévia consistente para tensionar o modelo, buscar revisão de cláusulas ou construir resistência política antes da consolidação do contrato. A resposta limitou-se a vídeos e notas nas redes sociais, já com o processo em curso, transferindo responsabilidades à ANTT e ao governo federal. A crítica, embora válida no conteúdo, chegou tarde demais para produzir efeitos concretos.
O contraste expõe um vazio incômodo: de um lado, quem defendeu a concessão no momento decisivo e hoje silencia; de outro, quem só se manifesta depois do fato consumado. Entre um e outro, o cidadão ficou sem defesa política real — e a liderança prometida nunca se materializou.
Já a tentativa do deputado estadual Camargo de se projetar ao Senado seguiu roteiro ainda mais curto. Apostou quase exclusivamente no discurso de confronto com o governador, sem apresentar agenda própria, articulação ampliada ou respaldo político suficiente. O resultado foi previsível: a candidatura perdeu fôlego antes mesmo de ganhar forma, tornando-se mais um balão de ensaio que não resistiu ao primeiro teste de realidade.
Esses movimentos antecipados revelam mais sobre a fragilidade do campo político do que sobre força eleitoral. São candidaturas que surgem para medir temperatura, ocupar espaço momentâneo ou pressionar negociações futuras, mas que não encontram eco na sociedade nem sustentação no histórico recente.
No xadrez de 2026, Rondônia começa a assistir à multiplicação de nomes sem densidade, projetos sem chão e ambições que não sobrevivem ao confronto com os fatos. Balões de ensaio, inflados pela conveniência do momento, que sobem pouco e caem rápido — muitos deles antes mesmo de o jogo começar.