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    porto velho, sexta-feira 16 de janeiro de 2026

Que venham as mulheres em 2026, é tempo de reescrever a política de Rondônia

Essa presença feminina na administração dos bens da vida nunca foi episódica nem secundária. Desde sempre, a mulher esteve no centro da vida dos homens...


Arimar Souza de Sá

Publicada em: 16/01/2026 14:53:20 - Atualizado

CRÔNICA DE FIM DE SEMANA

Que venham as mulheres em 2026 é tempo de reescrever a política de Rondônia

Arimar Souza de Sá

O ano foi embora. Depois vem o Carnaval e, logo em seguida, em ano político, chegam os preparativos para as eleições. É sempre assim: o calendário avança enquanto a política insiste em tropeçar nos mesmos erros. 

Nesse intervalo entre a ressaca do fim de ano e o início da disputa eleitoral de 2026, o eleitor rondoniense é convidado, mais uma vez, a assistir da arquibancada à derrocada de manjados homens públicos que transformaram a política em um espetáculo pobre, previsível e moralmente exaurido. É exatamente por isso que este texto nasce como um chamado às mulheres — não para assistir, mas para entrar em campo e marcar tentos memoráveis.

E não se trata de um convite abstrato ou genérico. Trata-se de um apelo direto às mulheres de Rondônia — às natas, nascidas neste chão amazônico, e às adotivas, que vieram de fora e aqui fincaram raízes, construíram família, trabalho, identidade e valor. Um chamado que encontra respaldo na própria história do Estado, escrita com suor e sangue que também jorraram do coração das mulheres. Suor arrancado das entranhas do corpo. Sangue derramado sob as mordidas inclementes de borrachudos e carapanãs.

Foram mulheres que aqui chegaram prenhes de entusiasmo, para sentar praça e lutar, com unhas e dentes, no quartel dos homens, contra os óbices da sobrevivência humana — e vencer. Vieram de todos os cantos deste Brasil tropical, impulsionadas pelo espírito forte do saudoso Teixeirão, próprio dos intimoratos, dos que acreditavam ser possível, pelo trabalho honesto, arrancar do âmago da terra o sustento digno e necessário à vida boa.

Vieram como mães, esposas, filhas, companheiras — mas jamais apenas como acompanhantes. Vieram para ser protagonistas de sua própria história. E essa história, que ajudaram a escrever com sacrifício e coragem, precisa continuar sendo escrita agora no campo político.

Essa presença feminina na administração dos bens da vida nunca foi episódica nem secundária. Desde sempre, a mulher esteve no centro da vida dos homens. Foi ela quem gerou, ensinou os primeiros passos, sustentou a fé nos momentos de fome, chorou baixinho e manteve acesa a chama da esperança quando o mundo parecia ruir à sua frente. Enquanto muitos homens empunhavam ferramentas, armas ou discursos — muitas vezes vazios — foram elas que seguraram lares, curaram feridas, educaram gerações e deram, com amor, o verdadeiro sentido à própria ideia de civilização.

Por isso mesmo, não aceitaram o papel de coadjuvantes. Chegaram para jogar no primeiro time, lado a lado com os homens, deixando para trás o desconforto de permanecer, por tanto tempo, na reserva. E, como sempre fizeram ao longo da história, quando perceberam a injustiça do silêncio imposto pelo machismo, romperam-no.

É desse rompimento que nasce a mulher rondoniense — a de berço e a de adoção — moldada pelo compromisso com o amor e com o progresso. Parceira incondicional da natureza, ungida pelo sol e pela chuva, carrega o dom extraordinário de gerar e cultivar os frutos da vida — no ventre, na terra, na sociedade. Onde há dificuldade, há uma mulher sustentando. Onde há reconstrução, há uma mulher liderando.

Assim, elas estão por toda parte: nos sítios, nas repúblicas, nas escolas, nos fóruns, nas delegacias, nas promotorias, nas fábricas, nas prefeituras. Trabalhando duro, decidindo, construindo. E, quando necessário, exercendo o sagrado dever de escolher seus representantes, porque entendem — como poucas — que a democracia é a expressão da soberana vontade do povo, mas hoje anda tão enxovalhada.

Então, diante do cenário político atual, marcado pelo descrédito, pela penúria moral e por homens públicos que transformaram a política em espaço de miséria ética, torna-se inevitável a reflexão: não é mais tempo de passividade. Não é tempo de arquibancada. É tempo de protagonismo. As mulheres de Rondônia não podem continuar assistindo, em silêncio, à decadência de uma política que não as representa há muito tempo.

Essa constatação se torna ainda mais urgente quando se observa que a representação feminina nos Poderes Legislativos do Estado segue tímida, aquém da força real que as mulheres exercem na sociedade. É imperioso que cresça. Que seja fortalecida. Que venha como esperança concreta neste novo tempo. Porque o câncer que se instalou na política ainda não encontrou cura — e talvez só a encontre quando mulheres com cérebro, coragem e caráter ocuparem, de forma decisiva, os espaços de poder.

Por isso, se forem candidatas — e devem ser — que o sejam por convicção, não por cota. Que apresentem propostas sólidas, éticas e viáveis. Que façam escola. Que exerçam a seriedade e a honestidade que lhes são naturais. Que emprestem ética, decência e moral às instituições públicas, por nossos filhos, por todos nós.

Afinal de contas, no fogão, no tanque, nas escolas, nos fóruns, nos campos, nas delegacias, nos palcos dos lares da vida… elas sempre fizeram a diferença. Agora, mais do que nunca, é hora de escreverem o triunfo da sua própria história. Porque a página escrita majoritariamente pelos homens — essa, definitivamente, fracassou.

Que assim seja!

Amém!


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