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    porto velho, quarta-feira 4 de fevereiro de 2026

Caminhada da Esperança evaporou no interior e escancarou crise da esquerda

O episódio expôs a fragilidade estrutural da esquerda em Rondônia. Sem discurso unificado, sem narrativa conectada à realidade local os progressistas andam aflitos...


Redação

Publicada em: 04/02/2026 10:25:26 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - A esquerda rondoniense vive um dos períodos mais sensíveis de sua trajetória recente. Fragmentada, sem unidade e sem liderança consolidada — à exceção da deputada estadual Cláudia de Jesus, cuja atuação se destaca de forma consistente —, as demais forças progressistas carecem de capacidade real de mobilização. Nesse cenário, o campo da esquerda não conseguiu enfrentar o avanço do bolsonarismo no estado, mesmo diante de um movimento visivelmente rachado, dividido e marcado por disputas internas permanentes.

O exemplo disso é a chamada 'Caminhada da Esperança', formada por siglas do campo progressista — PT, PCdoB, PV, PDT, PSB, MDB, Rede e PSOL — simbolizou mais um esforço retórico do que uma demonstração real de força política. O movimento percorreu municípios como Cacoal e Vilhena, mas não teve musculatura para avançar, muito menos para retornar e alcançar Porto Velho. O projeto simplesmente se dissolveu no caminho.

O episódio expôs a fragilidade estrutural da esquerda em Rondônia. Sem discurso unificado, sem narrativa conectada à realidade local e sem presença social consistente, os progressistas não conseguiram transformar militância em base eleitoral. A caminhada evaporou no caminho de volta, revelando um campo político que perdeu capilaridade e capacidade de enfrentamento.

Enquanto isso, o bolsonarismo, mesmo dividido entre grupos e lideranças que disputam espaço e protagonismo, segue ocupando o imaginário político do eleitor do estado. A direita mesmo rachada, dá a impressão de conservar o discurso simples e conservador, base mobilizada e identidade clara com parcelas significativas do eleitorado rondoniense. A esquerda, por outro lado, parece falar para si mesma, distante das ruas, das periferias e do sentimento predominante no interior de Rondônia.

O resultado é um campo progressista sem protagonismo para as eleições deste ano. Não há, até o momento, candidaturas competitivas, projetos eleitorais sólidos ou lideranças capazes de unificar o discurso e atrair alianças. Nem o ingresso do ex-deputado Expedito Netto que se lançou para disputar o governo, conseguiu empolgar os 'cumpanheiros'. A pré-candidatura de Netto entrou na ordem do dia como um furacão e terminou na mesma proporção. O tempo, que já era curto, agora corre contra os partidos que insistem em repetir fórmulas que não dialogam mais com o eleitor local.

Analistas avaliam que, se não houver uma mudança urgente de estratégia — com reorganização interna, renovação de quadros e revisão profunda do discurso radical — a esquerda corre o risco de se juntar ao MDB local e também se tornar irrelevante no processo eleitoral rondoniense, restrita a nichos ideológicos e sem influência real no resultado das urnas.

A Caminhada da Esperança virou, na prática, o retrato de um campo político em retração. Sem fôlego, sem rumo e sem liderança, os progressistas precisam decidir rapidamente se continuarão presos a discursos do passado ou se terão coragem de enfrentar a realidade política de Rondônia como ela é — dura, conservadora e cada vez menos tolerante à improvisação.

Frustrados o senador Confúcio Moura e seu colega Acir Gurgacz voltaram para casa cansados da caminhada e, juntos, pagam um gordo prêmio para quem descobrir o que de fato aconteceu, já que o relógio eleitoral avança e, para a esquerda em Rondônia, o tempo já não joga a favor.


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