Fundado em 11/10/2001
porto velho, quinta-feira 26 de fevereiro de 2026

PORTO VELHO - RO - A corrida eleitoral deste ano em Rondônia ferve nos bastidores de outras legendas, mas escancara uma realidade incômoda para dois partidos que já foram protagonistas do tabuleiro político regional: PSDB e MDB que hoje caminham à margem do debate central.
Sem candidatura própria ao Governo do Estado, sem mobilização visível de suas principais lideranças e sem musculatura eleitoral comparável a outros tempos, as duas legendas vivem um processo silencioso — e profundo — de esvaziamento.
Desde 2018, tanto PSDB quanto MDB vêm acumulando perdas sucessivas. Perderam cadeiras, perderam quadros históricos, perderam capilaridade e, sobretudo, perderam narrativa. Em um cenário nacional cada vez mais polarizado entre direita e esquerda, as siglas que antes ocupavam o centro do poder passaram a flutuar sem identidade clara. Em Rondônia, esse fenômeno ganhou contornos ainda mais severos.
O MDB, que já foi força dominante no Estado, hoje depende quase exclusivamente da projeção nacional de Confúcio Moura. Em Brasília, o senador mantém visibilidade, articula e se movimenta. Mas em Rondônia, seu capital político encontra resistência considerável e índices elevados de rejeição do bolsonarismo dominante. O mais sintomático, porém, não é a rejeição — é o silêncio. Não há sinais concretos de articulação nos bastidores para reconstruir o partido nos municípios, tampouco para reorganizar a base estadual.
A legenda que já teve nomes como Valdir Raupp e Marinha Raupp entre seus principais pilares perdeu musculatura. A velha guarda emedebista, segundo interlocutores, demonstra desconforto com os rumos adotados após a gestão de Lúcio Mosquini no comando partidário. O MDB parece sobreviver mais por tradição do que por estratégia.
No campo tucano, o cenário não é menos delicado. O PSDB, que governou a capital rondoniense com protagonismo e já foi sinônimo de gestão e articulação técnica, hoje caminha sob risco de irrelevância eleitoral. A marca tucana, nacionalmente associada a um centro político que perdeu espaço na polarização atual, encontra dificuldades para dialogar com um eleitorado rondoniense majoritariamente conservador.
Hildon Chaves é, atualmente, a principal referência do PSDB no Estado, mas está sozinho. Permanece filiado, mas dialoga abertamente com outras legendas, como União Brasil e Republicanos — movimento que evidencia a fragilidade estrutural do partido e a pouca atenção dada a ele. Caso mantenha uma eventual candidatura ao Governo pelo PSDB, enfrentará não apenas adversários externos, mas também o peso simbólico de uma sigla que já não mobiliza como antes e nem nominata tem.
O problema de PSDB e MDB em Rondônia não é apenas eleitoral; é estratégico. Ambos parecem presos a um tempo em que bastava tradição e histórico administrativo para garantir relevância. O eleitorado mudou. A comunicação política mudou. O jogo se radicalizou. E as duas legendas, ao que tudo indica, não conseguiram se adaptar à nova arena.
Hoje, a disputa pelo Governo de Rondônia se organiza em torno de nomes e partidos que dialogam diretamente com a hegemonia ideológica predominante no Estado. PSDB e MDB assistem de fora — sem candidato competitivo, sem mobilização robusta e sem discurso capaz de incendiar suas bases.
Em política, vazio não existe. Quem não ocupa espaço, perde espaço. E, neste ano, tudo indica que tucanos e emedebistas correm o risco de assistir às eleições da arquibancada ou como coadjuvantes de uma história que, um dia, já foi escrita por eles.