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    porto velho, quinta-feira 26 de fevereiro de 2026

PV e PCdoB tentam sobreviver com candidaturas simbólicas em Rondônia

Dominado por forças de perfil conservador e por partidos alinhados ao campo da direita, PV e PCdoB operam em uma faixa ideológica que encontra pouca aderência eleitoral...


Redação

Publicada em: 26/02/2026 10:21:01 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - Integrantes da federação Brasil da Esperança, o Partido Verde (PV) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) enfrentam, em Rondônia, um cenário de baixa densidade política, pouca capilaridade municipal e reduzida representatividade institucional. 

Sem quadros competitivos consolidados e fora do eixo central da disputa majoritária no Estado, as duas legendas articulam o lançamento de candidaturas próprias ao Governo e ao Senado — movimentos que, nos bastidores, são vistos mais como estratégia de sobrevivência partidária do que como projetos eleitorais viáveis.

No tabuleiro político rondoniense, dominado por forças de perfil conservador e por partidos alinhados ao campo da direita, PV e PCdoB operam em uma faixa ideológica que encontra pouca aderência eleitoral. A federação Brasil da Esperança, que nacionalmente reúne PT, PV e PCdoB, mantém algum grau de organicidade em capitais e grandes centros do país, mas em Rondônia sua presença é periférica.

A leitura de analistas locais é de que eventuais candidaturas próprias ao Executivo estadual ou ao Senado teriam caráter mais simbólico do que competitivo. Serviriam para marcar posição, garantir tempo de propaganda, fortalecer nominatas proporcionais e, sobretudo, evitar a completa diluição das siglas no cenário estadual. Em linguagem política direta: fazer número para não desaparecer do radar.

Internamente, há dificuldades claras. Faltam lideranças com densidade eleitoral, faltam nomes com recall popular e faltam estruturas municipais capazes de sustentar uma campanha majoritária consistente. A ausência de quadros competitivos tem sido o principal gargalo das duas legendas no Estado.

Além disso, o ambiente ideológico de Rondônia impõe barreiras adicionais. O eleitorado rondoniense, majoritariamente conservador, historicamente demonstra resistência a partidos associados ao campo da esquerda. Isso restringe o espaço de crescimento orgânico da federação no plano majoritário, empurrando as estratégias para o campo proporcional ou para composições táticas.

Nos bastidores, a movimentação é vista como tentativa de manter relevância formal e preservar cláusula de desempenho, acesso a recursos do fundo partidário e estrutura mínima de funcionamento. A lógica é clara: candidatura própria gera visibilidade, ainda que sem viabilidade real de vitória.

O desafio para PV e PCdoB em Rondônia não é apenas eleitoral, mas existencial. Sem renovação de lideranças, sem capilaridade e sem inserção social consistente, as siglas correm o risco de se tornarem meras coadjuvantes dentro da própria federação.

A pergunta que fica é se candidaturas simbólicas serão suficientes para manter as legendas vivas politicamente ou se o movimento representa apenas um fôlego curto diante de um cenário estruturalmente adverso.

No atual desenho político rondoniense, a federação Brasil da Esperança luta mais para sobreviver do que para governar.


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