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    porto velho, sexta-feira 27 de fevereiro de 2026

Bilhete bomba de Flávio Bolsonaro sacode tabuleiro político de Rondônia e expõe racha no PL

Se confirmada a autenticidade das anotações, o conteúdo revela mais do que estratégia: expõe divergência interna no bolsonarismo...


Redação

Publicada em: 27/02/2026 10:03:57 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - Um suposto bilhete atribuído ao senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República pelo Partido Liberal, caiu como uma granada no colo da política rondoniense. A anotação, cuja caligrafia seria idêntica à do parlamentar, passou a circular em sites e colunas especializadas, provocando um verdadeiro terremoto no núcleo bolsonarista do Estado.

No papel, que já é tratado nos bastidores como um “mapa eleitoral confidencial”, Flávio praticamente retira o governador Marcos Rocha do jogo sucessório. A mensagem é direta: Rocha permaneceria no cargo até o fim do mandato e não integraria o bloco de candidatos vinculados ao bolsonarismo na disputa majoritária.

Mais do que isso, o bilhete corta a cabeça de Bruno Scheid e abre espaço concreto para que o deputado federal Fernando Máximo-UB, seja o principal nome do PL para uma das duas cadeiras ao Senado. A anotação sugere, inclusive, que Máximo poderia migrar para o partido — atualmente ele está no União Brasil — caso o empresário Bruno Scheid não confirme candidatura.

E é justamente ao lado do nome de Scheid que aparece a frase mais explosiva do bilhete: “vamos perder”. A observação confronta diretamente o desejo do ex-presidente Jair Bolsonaro e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que teriam indicado Scheid como principal aposta do PL para uma das vagas ao Senado em Rondônia.

Se confirmada a autenticidade das anotações, o conteúdo revela mais do que estratégia: expõe divergência interna no bolsonarismo. De um lado, a preferência pessoal do ex-presidente e de Michelle. De outro, o pragmatismo eleitoral atribuído a Flávio, que avaliaria friamente o cenário local.

No mesmo documento, surge como único nome do PL para o Governo de Rondônia o senador Marcos Rogério, consolidando uma possível chapa enxuta e alinhada ao núcleo mais estratégico do partido.

A repercussão ganha ainda mais peso diante do cenário nacional. Inicialmente visto por adversários e por setores da mídia como um nome frágil para 2026, Flávio começou a aparecer, ainda que modestamente, nas primeiras pesquisas presidenciais. A leitura de que seria um candidato “fácil” para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu força à medida que a popularidade do petista sofreu oscilações. Hoje, dentro do campo conservador, o filho do ex-presidente já é tratado como opção viável e com potencial competitivo.

Em Rondônia, onde o eleitorado tem histórico majoritariamente conservador, qualquer sinalização vinda da família Bolsonaro altera o equilíbrio das forças. O suposto bilhete, portanto, não é apenas uma anotação informal: é um indicativo de que o tabuleiro está sendo redesenhado.

Se autêntico, o recado é claro: o bolsonarismo rondoniense pode entrar na disputa com estratégia definida, mesmo que isso signifique contrariar desejos internos e cortar nomes considerados pouco competitivos, como é o caso de Bruno Scheid, que não tem as bênçãos de Flávio.

Nos bastidores, a pergunta que ecoa é simples — e incômoda: trata-se de planejamento frio ou do primeiro sinal público de fissura dentro do próprio clã?


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