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    porto velho, sexta-feira 27 de fevereiro de 2026

Amir dá aula de política no Papo de Redação e reacende possibilidade de volta às urnas

Com a erudição que sempre o caracterizou — citando pensadores, líderes históricos e autores clássicos — criticou também o que chamou de empobrecimento do mandato parlamentar...


Redação

Publicada em: 27/02/2026 10:42:33 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - A participação do ex-ministro da Previdência e ex-senador Amir Lando-MDB no programa Papo de Redação foi mais do que uma entrevista: foi uma aula de política, história e coragem cívica. Aos 81 anos, com a mente afiada e a retórica que o consagrou como um dos grandes oradores do Parlamento brasileiro, Lando deixou no ar uma possibilidade de voltar à Câmara Federal, fato que agitou os bastidores — a de voltar às urnas já em outubro.

Conduzido com maestria pelos experientes Beni Andrade e Sérgio Pires, o programa — transmitido pela tradicional Rádio Parecis FM — ofereceu ao público um diálogo profundo, respeitoso e intelectualmente vigoroso. Os apresentadores, com a serenidade de quem conhece os meandros do poder e a história regional, souberam extrair do convidado reflexões que poucos ainda têm coragem de fazer em público.

Com a erudição que sempre o caracterizou — citando pensadores, líderes históricos e autores clássicos, Lando criticou também o que chamou de empobrecimento do mandato parlamentar, hoje excessivamente concentrado em emendas. Disse que jamais se tornaria um “vendilhão do templo”, expressão bíblica que utilizou para definir a troca de princípios por conveniências, embora reconheça que emendas possam socorrer regiões esquecidas.

Amir Lando não é um personagem qualquer da política nacional. Entrou definitivamente para a História ao ser relator do impeachment de Fernando Collor de Mello no Senado, momento decisivo para a consolidação democrática do país. Também ocupou o Ministério da Previdência e construiu reputação como um dos discursos mais sólidos e cultos de sua geração.

Durante a entrevista, relembrou os tempos em que o MDB mobilizava multidões, quando política era sinônimo de mobilização popular e defesa intransigente das liberdades. Falou também da grave diverticulite que quase lhe tirou a vida — a mesma doença que levou Tancredo Neves — e emocionou ao agradecer a Deus pela segunda chance que recebeu.

Mas se alguém imaginava um Amir saudosista ou acomodado pelo tempo, enganou-se. O ex-senador foi direto ao ponto ao criticar decisões judiciais que, em sua avaliação, enfraquecem instituições e corroem a esperança nacional. Lamentou o que considera um esvaziamento do ideal democrático e afirmou que o Brasil atravessa um momento em que muitos políticos se afastaram da missão maior de construir um projeto de nação.

O que mais impressiona é a atualização do veterano político, reconheceram os apresentadores. Ele transita com naturalidade entre episódios históricos e os dilemas atuais, conectando passado e presente com rara coerência intelectual. Seus olhos ainda brilham quando fala de política — não pelo poder, mas pela ideia de servir.

Na leitura de analistas políticos, a eventual candidatura de Amir Lando a Câmara Federal, não seria apenas um retorno simbólico. Seria a volta de um quadro experiente, culto e independente, capaz de elevar o nível do debate e qualificar qualquer bancada. Em tempos de superficialidade, sua presença representaria densidade.

Se decidir disputar as eleições em outubro, não será apenas mais um nome na urna. Será um capítulo novo de uma trajetória que já marcou a política brasileira. E, pelo que se viu no Papo de Redação, energia, experiência e lucidez não lhe faltam.


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