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porto velho, quinta-feira 5 de março de 2026

PORTO VELHO - RO - Uma engrenagem de investigação foi acionada em Rondônia após vir à tona um rombo que beira os R$ 13 milhões nos cofres da Prefeitura de São Francisco do Guaporé. O caso, que até poucos dias permanecia oculto nos bastidores da administração municipal, agora reúne Polícia Federal, Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO) numa força-tarefa para esclarecer como um único servidor conseguiu operar o esquema sem levantar suspeitas por tanto tempo.
O funcionário, lotado na Secretaria Municipal da Fazenda, afirmou em depoimentos preliminares que teria perdido todo o montante em apostas online, nas chamadas “bets”. A versão, no entanto, ainda está longe de ser aceita como definitiva pelas autoridades. Investigadores trabalham para verificar se houve participação de terceiros ou falhas graves nos mecanismos de controle interno da prefeitura.
Diante da gravidade do episódio, o prefeito Zé Wellington acionou diretamente a Polícia Federal, solicitando apoio para aprofundar as apurações. Paralelamente, técnicos do Tribunal de Contas do Estado foram enviados ao município nesta semana para examinar documentos, rastrear movimentações financeiras e produzir um relatório detalhado sobre a origem e o destino dos recursos desaparecidos.
No campo jurídico, a administração municipal já recorreu ao Judiciário com uma Ação Civil Pública, buscando o bloqueio imediato do patrimônio do acusado. A medida tem como objetivo evitar qualquer tentativa de ocultação ou dilapidação de bens e garantir eventual devolução do prejuízo aos cofres públicos. O processo, inicialmente apresentado no Juizado Especial da Fazenda Pública, foi redistribuído por decisão do juiz Paulo Juliano Roso Teixeira, que determinou o envio do caso para a Vara da Fazenda Pública, considerada a instância adequada para analisar o mérito da ação.
Enquanto as investigações avançam, o episódio também provoca reação política. A Câmara Municipal de São Francisco do Guaporé articula a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para examinar as circunstâncias que permitiram o desfalque milionário e identificar possíveis falhas administrativas.
O que mais intriga autoridades e moradores é justamente o tempo e a dimensão da fraude. A hipótese de que um único servidor tenha conseguido movimentar cifras tão elevadas, sem que os sistemas de controle detectassem irregularidades, levanta dúvidas sobre a eficiência dos mecanismos de fiscalização interna.
A apuração apenas começou — e tudo indica que o caso ainda revelará novos capítulos.