• Fundado em 11/10/2001

    porto velho, quinta-feira 5 de março de 2026

Janela partidária expõe fragilidade do MDB e redesenha forças políticas em Rondônia

Durante esse intervalo de um mês, deputados federais, estaduais e distritais podem migrar para outras legendas sem risco de perder o mandato...


Redação

Publicada em: 05/03/2026 08:38:43 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - A abertura da chamada janela partidária, iniciada nesta quinta-feira (5) e válida até 3 de abril, não representa apenas um período de troca de siglas permitido pela legislação eleitoral. Em Rondônia, o movimento tem o peso de um verdadeiro terremoto político, capaz de alterar o equilíbrio de forças dentro da Assembleia Legislativa e da bancada federal.

Durante esse intervalo de um mês, deputados federais, estaduais e distritais podem migrar para outras legendas sem risco de perder o mandato. O mecanismo, criado para dar flexibilidade às articulações eleitorais, costuma provocar rearranjos profundos. Em território rondoniense, contudo, o efeito tende a ser ainda mais contundente: fortalece algumas agremiações e esvazia outras de forma dramática.

O caso mais emblemático é o do MDB, partido que durante décadas ocupou posição central na política do estado. Com a movimentação prevista para as próximas semanas, a legenda corre o risco de ficar sem representação tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara dos Deputados.

O deputado federal Lúcio Mosquini já prepara sua saída e deve se filiar ao PL, partido que vem ampliando espaço no cenário estadual. Na Assembleia Legislativa, o deputado Jean de Oliveira caminha para o PRD, enquanto Luiz do Hospital deixa o MDB para disputar a reeleição pelo PSD. Se confirmadas essas mudanças, o antigo gigante político ficará praticamente sem voz nas principais arenas institucionais do estado.

A debandada expõe uma realidade incômoda para o MDB rondoniense: Sob o comado de Lúcio Mosquini, a legenda perdeu densidade política e capacidade de articulação local. O partido que um dia liderou governos e construiu bancadas robustas hoje parece sobreviver mais pela memória de sua trajetória do que por um projeto claro de reconstrução.

No plano nacional, o senador Confúcio Moura ainda sustenta visibilidade e influência em Brasília, mantendo presença ativa no debate político. No entanto, em Rondônia, seu capital eleitoral encontra obstáculos significativos em um ambiente marcado pela forte presença do bolsonarismo, que domina boa parte do eleitorado e redesenha as alianças partidárias.

Mais do que a resistência política, o que chama atenção nos bastidores é a ausência de uma reação organizada. Até o momento, não surgiram sinais concretos de mobilização para recompor diretórios municipais, fortalecer lideranças regionais ou reorganizar a base estadual da sigla.

A situação contrasta com o passado recente do partido, que teve nomes de grande projeção, como Amir Lando, Ronaldo Aragão, Tomás Correia, Valdir Raupp e Marinha Raupp, protagonistas de um período em que o MDB exercia influência decisiva nos rumos do estado.

Hoje, entretanto, interlocutores históricos da legenda admitem reservadamente que há desconforto interno e falta de direção estratégica.

A janela partidária, portanto, não apenas permite trocas de filiação. Ela escancara o novo mapa do poder em Rondônia: enquanto algumas siglas crescem e ampliam seu peso nas negociações eleitorais, outras enfrentam um processo silencioso de esvaziamento político.

E, nesse tabuleiro em transformação, o MDB — outrora protagonista — corre o risco de assistir à próxima eleição como coadjuvante de uma história que um dia ajudou a escrever com letras garrafais.


Fale conosco