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    porto velho, sábado 7 de março de 2026

CRÔNICA DE FIM DE SEMANA - Entre a dor e a resistência, nasce a força da mulher

Que a mulher siga de pé — firme, luminosa e invencível — porque onde há uma mulher de coragem, há sempre um futuro nascendo...


Redação

Publicada em: 06/03/2026 19:30:46 - Atualizado

CRÔNICA DE FIM DE SEMANA

Entre a dor a resistência, nasce a força da mulher

Arimar Souza de Sá

Nesse domingo, 8 de março, não celebramos apenas uma data gravada no calendário — reverenciamos a própria força que mantém a humanidade de pé. É o dia de reconhecer a mulher que enfrenta tempestades sem deixar escorrer o batom da dignidade, que atravessa a vida entre flores, vaidades e coragem, e que, mesmo quando o mundo exige aço, continua sendo ternura. Nela convivem a delicadeza do perfume e a firmeza da fortaleza.

É o dia da MULHER: da mãe, da esposa, da companheira, da filha, da avó — mas, sobretudo, desse farol que permanece aceso quando tudo parece escuridão.

Como observador social, afirmo sem rodeios: não é simples ser mulher. Nunca foi. Em pleno século XXI, continua sendo uma travessia sobre pontes estreitas, sob ventos contrários, carregando o peso do preconceito e, ainda assim, caminhando sem olhar para trás.

Durante séculos, o machismo estruturou sociedades inteiras. A mulher foi silenciada, vigiada, enquadrada, diminuída. Disseram-lhe onde podia ir, como deveria falar, o que vestir e até onde lhe era permitido sonhar. Transformaram sua liberdade em concessão e sua opinião em ousadia. Chamaram esse horror de tradição. Tradição que oprime não é cultura — é atraso.

No passado, diziam protegê-la. Escolhiam-lhe destino, marido, roteiro de vida. Chamavam-na de princesa, mas negavam-lhe o trono das decisões. O tempo passou. A ilusão caiu. A menina virou mulher — e a mulher virou resistência.

No sertão, enfrentou a fome com a foice na mão e o filho no colo. No Norte amazônico, remou rios para garantir escola às crianças. Nas periferias, sustentou a casa enquanto o mundo ruía. Sempre foi o esteio invisível que impede o desmoronamento social.

E o crime mais cruel: o feminicídio — como ocorre, amiúde, em todo o país. O caso mais recente e doloroso em Porto Velho ecoa como um grito de alerta: uma professora assassinada dentro da própria sala de aula por ter negado seu amor a um aluno. O ódio decidiu apagar uma vida apenas porque ela ousou ser mulher.

São flores violentadas.
São vozes interrompidas.
São mães que não voltam para casa.

Aqui, o machismo não é retórica. É realidade que mata. E, mesmo assim, elas seguem: professoras, juízas, delegadas, médicas, enfermeiras, engenheiras, escritoras, jornalistas, agricultoras, mães solo, empreendedoras, trabalhadoras do lar — ombro a ombro com os homens, disputando espaço em um mundo que lhes fechou portas por séculos. Não pedem privilégio. Exigem respeito.

Nas vicinais de Rondônia, nas margens do Madeira e do Guaporé, nas salas de aula de Porto Velho, nos hospitais e nos lares, é a mulher quem sustenta e constrói. É o novelo de linha por onde Deus desenrola o carretel da humanidade. Mas é preciso dizer com clareza: não há homenagem verdadeira sem compromisso real. Não bastam flores se ainda há agressão. Não basta discurso se ainda há medo.

É urgente punir o agressor, fortalecer as leis e educar para que o respeito deixe de ser exceção e se torne regra. Porque a mulher não é posse. Não é objeto. Não é alvo. É força criadora. É ventre da humanidade. É a colcha que amortece o estrondo das guerras entre os homens.

Salve a mulher neste dia — e em todos os dias. Que continue espalhando seu perfume de dignidade, humanizando ambientes, sustentando nações e dando sentido à própria existência.

Esta homenagem  que faço agora, não é protocolo nem formalidade de calendário. É reconhecimento histórico a quem carregou o mundo quando o mundo ainda se recusava a reconhecê-la.

Se ontem tentaram impor silêncio, hoje ergue-se a voz.
Se antes foi concessão, agora é direito.
Se antes era invisível, hoje é protagonista da própria história.

Que a mulher siga de pé — firme, luminosa e invencível — porque onde há uma mulher de coragem, há sempre um futuro nascendo.

Que assim seja.
Amém.


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