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porto velho, quinta-feira 26 de março de 2026

PORTO VELHO - RO - A corrida pelo Palácio Rio Madeira começa a ganhar contornos mais definidos — e, ao mesmo tempo, mais imprevisíveis. Levantamento recente divulgado pelo Instituto Veritá reposiciona peças no tabuleiro político de Rondônia e acende um alerta nos bastidores: há espaço real para mudanças de rota e entrada no jogo de lideranças consolidadas.
Realizada entre os dias 13 e 19 de março, com 1.220 entrevistados e margem de erro de três pontos percentuais, a pesquisa mostra o senador Marcos Rogério na dianteira, com 38,9% das intenções de voto ao governo. Mas o dado que reverberou com mais força nos corredores políticos não foi a liderança — e sim a consolidação do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, que constava da pesquisa e surge em segundo lugar, com 20,2%.
Atrás dele aparecem Adailton Fúria (18,8%), Expedito Netto (10,6%), Hildon Chaves (10,4%) e o eterno candidato da esquerda, Samuel Costa, (1,1%). Um cenário que, à primeira vista, parece definido — mas que, ao olhar mais atento, revela fissuras importantes.
A rejeição, por exemplo, expõe fragilidades. Expedito Netto lidera com folga esse indicador negativo, atingindo 62,9%, um índice que, na prática, funciona como teto eleitoral. Marcos Rogério, embora lidere na preferência, já acumula 17,9% de rejeição — número que, historicamente, pesa em disputas majoritárias. Em contraste, Léo Moraes aparece com apenas 2,6%, um dado que, mais do que discreto, é estratégico.
É nesse ponto que o jogo muda de natureza.
Nos bastidores, a leitura é clara: eleição não se ganha apenas com quem lidera, mas com quem consegue crescer sem rejeição. E é exatamente esse raciocínio que vem sendo vocalizado por uma das figuras mais experientes da política rondoniense. O ex-senador e ex-ministro Amir Lando foi direto ao analisar o cenário: na sua avaliação, o quadro está “aberto” — e há uma janela concreta para que Léo Moraes entre de vez na disputa pelo governo.
A fala não é trivial. Vinda de quem conhece como poucos os ciclos de poder em Rondônia, ela carrega o peso de quem já viu favoritos ruírem e candidaturas improváveis ganharem corpo no momento certo.
Na prática, o que a pesquisa revela é um campo ainda em formação. Marcos Rogério lidera, mas não dispara. Fúria aparece competitivo, mas não consolidado. Hildon mantém presença, porém ainda distante do protagonismo. E, no meio desse cenário fragmentado, Léo Moraes surge como a peça que pode desequilibrar o jogo — sobretudo se conseguir transformar baixa rejeição em crescimento consistente.
A eleição, portanto, deixa de ser uma corrida de velocidade e passa a se comportar como uma maratona política, onde resistência, articulação e timing podem pesar mais que a largada.
Se o levantamento do Instituto Veritá funciona como fotografia do momento, a interpretação de Amir Lando aponta para algo mais profundo: o roteiro ainda está em aberto — e, em Rondônia, eleição definida com antecedência costuma ser apenas ilusão.