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    porto velho, sexta-feira 27 de março de 2026

MDB tenta se reerguer entre incertezas e busca nome competitivo para 2026

Foi nesse cenário que a recente movimentação do senador Acir Gurgacz trouxe algum fôlego ao partido. Ao apresentar uma nominata e tentar reorganizar as bases...


Redação

Publicada em: 27/03/2026 10:17:01 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - O MDB de Rondônia vive um daqueles momentos em que a política deixa de ser estratégia e passa a ser sobrevivência. Sem rumo definido para a disputa ao Governo do Estado, a legenda oscila entre lançar candidatura própria ou se abrigar sob o guarda-chuva de um nome mais competitivo — decisão que, até agora, segue em suspenso.

Nos bastidores, o ambiente é de reconstrução após um período que interlocutores do próprio partido classificam como um dos mais frágeis de sua história recente. A gestão do deputado federal Lúcio Mosquini à frente da sigla deixou marcas profundas, com perda de protagonismo, esvaziamento político e dificuldades na formação de quadros competitivos.

Foi nesse cenário que a recente movimentação do senador Acir Gurgacz trouxe algum fôlego ao partido. Ao apresentar uma nominata e tentar reorganizar as bases, Acir surge como uma espécie de articulador de emergência, buscando devolver musculatura a uma legenda que já foi protagonista absoluto no Estado.

Ainda assim, o MDB continua refém de uma definição central: quem será seu nome de peso para a disputa majoritária? Parte da militância aguarda um desfecho envolvendo o senador Confúcio Moura. Embora ainda no mandato, ele já deu sinais de desgaste político, atribuindo dificuldades à leitura conservadora do eleitorado rondoniense em relação ao seu alinhamento nacional.

Diante dessa possível lacuna, cresce nos bastidores o nome do ex-ministro da Previdência, ex-senador e figura histórica do partido, Amir Lando. Com trajetória que remonta à Assembleia Constituinte e uma carreira marcada por passagens relevantes no Legislativo e no Executivo, Lando é visto por setores do MDB como uma alternativa capaz de devolver densidade política à sigla.

O dilema, no entanto, permanece: insistir em candidatura própria, honrando a tradição, ou ceder ao pragmatismo e buscar composição? Historicamente, o MDB não apenas participou — dominou o cenário estadual, elegendo nomes como Jerônimo Santana, Valdir Raupp e o próprio Confúcio Moura ao comando do Palácio Rio Madeira, além da passagem de Ângelo Angelim, em mandato tampão.

Hoje, porém, o partido parece distante daquela hegemonia. Entre memórias de poder e a necessidade de reinventar-se, o MDB caminha em terreno pantanoso. E, na política, há uma regra que raramente falha: quem demora a decidir, acaba sendo decidido pelos outros.


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