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    porto velho, sábado 28 de março de 2026

Léo Moraes no centro do tabuleiro e o peso de uma escolha que pode redesenhar Rondônia

O dilema é claro, ainda que carregado de nuances: entrar na disputa pelo governo de Rondônia ou transformar seu capital político em moeda decisiva no jogo de alianças de outubro...


Redação

Publicada em: 28/03/2026 11:37:00 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes-Podemos, atravessa um momento raro na política: bem avaliado, respaldado por pesquisas — inclusive de alcance nacional — e, ao mesmo tempo, pressionado por todos os lados. Não é uma encruzilhada comum. É daquelas que definem não apenas destinos pessoais, mas o desenho do poder no Estado.

O dilema é claro, ainda que carregado de nuances: entrar na disputa pelo governo de Rondônia ou transformar seu capital político em moeda decisiva no jogo de alianças de outubro. Em qualquer dos cenários, seu nome já deixou de ser coadjuvante. Tornou-se peça central.

Com aprovação consolidada no maior colégio eleitoral do Estado, Léo passou a ocupar o papel que, no jargão político, se convencionou chamar de “a noiva da vez”. Todos querem. Poucos, de fato, terão.

Nos bastidores, a movimentação é intensa. De um lado, o senador Marcos Rogério, nome forte nas pesquisas, avança na tentativa de construir uma composição que inclua o prefeito. Há sinais de alinhamento, inclusive com a possibilidade de acomodação política envolvendo o entorno familiar de Léo. Mas a política, como se sabe, não esquece com facilidade. Divergências do passado — algumas de natureza pessoal — ainda pairam como uma sombra silenciosa sobre qualquer eventual aliança.

Do outro lado do tabuleiro, o Palácio também se move. O governador Marcos Rocha e o grupo do PSD, com Adailton Fúria, tratam Léo como ativo estratégico. Sabem que sua adesão pode significar mais do que tempo de televisão ou palanque: representa transferência real de voto em uma capital que decide eleições.

Nesse cenário, há uma linha que não será cruzada. A relação política entre Léo Moraes e Hildon Chaves-UB permanece marcada pelas tensões recentes da disputa municipal. As cicatrizes ainda estão abertas, e, na política, feridas mal cicatrizadas costumam definir lados com mais precisão do que discursos.

Mas talvez o ponto mais sensível desse dilema esteja fora das articulações partidárias. Pessoas próximas ao prefeito indicam que sua decisão será ancorada em um critério pragmático: o que for melhor para Porto Velho. Não se trata apenas de ambição ou cálculo eleitoral, mas de quem, entre os postulantes ao governo, oferecerá respostas concretas para os problemas estruturais da capital — da mobilidade urbana à saúde, da infraestrutura à segurança.

Essa postura, embora politicamente elegante, eleva o preço do seu apoio. E transforma cada conversa em negociação de alto risco.

Léo Moraes, hoje, não escolhe apenas um caminho. Escolhe o peso que quer carregar. Se entrar na disputa, assume o risco de trocar uma gestão bem avaliada por uma batalha incerta. Se ficar de fora, torna-se fiador de um projeto que não será seu — e, inevitavelmente, corresponsável por seus acertos e erros.

No fim, o dilema é menos sobre poder e mais sobre timing. Na política, há momentos em que avançar é preciso. Em outros, recuar é estratégia.

Léo Moraes está exatamente nesse ponto: entre o passo à frente que pode consagrá-lo e a cautela que pode preservá-lo.

E, como em todo grande jogo, não será apenas a escolha que importará — mas o momento em que ela for feita.


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