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    porto velho, terça-feira 14 de abril de 2026

EDITORIAL RONDONOTÍCIAS - O eleitor mudou — e o passado agora cobra a conta

O eleitor de hoje não é mais o mesmo. Em Porto Velho, especialmente, emerge um perfil mais escolarizado, mais conectado e menos tolerante à incoerência...


Redação

Publicada em: 14/04/2026 10:08:38 - Atualizado

EDITORIAL RONDONOTÍCIAS

O eleitor mudou — e o passado agora cobra a conta

PORTO VELHO (RO) — Há uma mudança em curso no comportamento do eleitor rondoniense. Silenciosa, mas profunda. E, para muitos políticos, perigosa. O tempo do voto conduzido no cabresto, embalado por promessas vazias e tradições herdadas, começa a perder espaço para uma nova realidade: a era da informação.

O eleitor de hoje não é mais o mesmo. Dele emerge um perfil mais escolarizado, mais conectado e menos tolerante à incoerência. A universidade deixou de ser exceção e passou a ser caminho comum para grande parte da juventude. E a educação, inevitavelmente, transforma o voto. Quem estuda, questiona. Quem questiona, não se contenta.

O jovem eleitor não se limita a ouvir jingles ou assistir a discursos ensaiados nas redes sociais. Ele pesquisa. Investiga. Cruza informações. Em segundos, com um celular nas mãos, acessa processos, revisita votações, resgata declarações antigas e confronta o candidato com sua própria história. Nunca foi tão fácil saber quem é quem na política. E isso muda tudo.

A chamada vida pregressa deixou de ser detalhe escondido em rodapé. Hoje, ela ocupa o centro do palco. O passado fala — e fala alto. Votos dados, alianças firmadas, posicionamentos assumidos: tudo volta à superfície. E o eleitor, agora, tem ferramentas para julgar. Promessa sem lastro não se sustenta mais. Discurso sem coerência desmorona.

Nesse novo cenário, marketing já não resolve sozinho. Tempo de televisão perdeu força. A maquiagem política tem prazo curto de validade. O que se exige agora é consistência. É trajetória. É alinhamento entre o que se disse ontem e o que se defende hoje.

Rondônia, historicamente marcada por lideranças tradicionais e estruturas consolidadas, começa a sentir esse deslocamento. Não é uma ruptura abrupta, mas é um sinal claro de transição. O eleitor jovem, universitário e digitalizado relativiza narrativas prontas e passa a valorizar preparo, integridade e coerência.

É um eleitor que compara. Que duvida. Que decide. Não se trata de idealizar um novo eleitor, nem de ignorar que ainda há distorções e influências no processo. Mas é impossível negar o avanço de uma consciência mais crítica. Uma parcela crescente da população já não vota por impulso — vota por análise.

E isso impõe uma nova regra ao jogo político. O passado deixou de ser algo que se esquece. Tornou-se aquilo que define. E, diante de um eleitor que pesquisa antes de apertar o botão, a história de cada candidato pode ser seu maior ativo — ou sua sentença.


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