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porto velho, quarta-feira 15 de abril de 2026

PORTO VELHO (RO) — Longe dos discursos ensaiados e dos palanques iluminados, o que se vê hoje em Rondônia na preparação para as eleições de outubro, é uma disputa silenciosa e tensa: a corrida dos partidos para montar nominatas viáveis sem tropeçar nas exigências cada vez mais rígidas da legislação eleitoral.
A montagem dessas chapas deixou de ser um simples exercício de articulação política para se transformar em uma operação de alta precisão. Dirigentes partidários lidam com um cenário onde cada nome precisa cumprir múltiplas funções ao mesmo tempo — somar votos, equilibrar regiões, respeitar cotas e, sobretudo, garantir segurança jurídica.
O maior desafio atende por uma ausência sentida nos bastidores: a falta dos chamados “puxadores de votos”. Figuras que, em eleições anteriores, funcionavam como verdadeiras locomotivas eleitorais, capazes de impulsionar chapas inteiras. Sem esses protagonistas, os partidos perderam uma peça-chave do jogo — e agora precisam reconstruir suas estratégias quase do zero.
A mudança nas regras eleitorais agravou esse quadro. Com o fim das coligações proporcionais, cada legenda passou a depender exclusivamente de sua própria musculatura eleitoral. O que antes era soma coletiva virou responsabilidade individual. Mesmo nas federações, onde há algum grau de união, os limites são claros: número restrito de candidaturas e a obrigatoriedade de cumprimento das cotas de gênero, com pelo menos um terço das vagas destinadas a mulheres.
Nesse ambiente, o risco deixou de ser apenas político — tornou-se também jurídico. O descumprimento dessas regras pode resultar em impugnações, cassações e até na anulação de toda a chapa. Por isso, o alerta é constante: olho vivo nas nominatas. Não basta preencher vagas; é preciso cumprir rigorosamente a legislação para não transformar uma candidatura em problema judicial.
A escassez de nomes competitivos elevou o valor político de candidatos com densidade eleitoral. Nos bastidores, a movimentação é intensa. Convites, negociações e reacomodações acontecem em ritmo acelerado, muitas vezes acompanhados de disputas internas, acordos frágeis e mudanças de rota de última hora.
Com o prazo se aproximando, o clima é de urgência. Sorrisos calculados escondem apreensão. Lideranças correm contra o tempo para evitar chapas frágeis — aquelas que entram na disputa sem chances reais, apenas para cumprir formalidade.
Em Rondônia, a engenharia eleitoral vive um momento de teste. Mais do que montar nominatas, os partidos tentam provar que são capazes de sobreviver em um jogo mais técnico, mais exigente e menos tolerante a improvisos. Quem errar no cálculo pode não apenas perder a eleição — pode sequer chegar a disputá-la no ritmo que se impõe.