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    porto velho, sexta-feira 17 de abril de 2026

Pioneiro RO, Amadeu destaca em entrevista que o estado foi criado na marra, no braço

Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta sexta-feira (17/04) recebeu...


Redação

Publicada em: 17/04/2026 14:15:45 - Atualizado

Foto: Rondonoticias

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta sexta-feira (17/04) recebeu o Dr. Amadeu Machado, advogado, ex-presidente do Tribunal de Contas de Rondônia e ex-chefe da Casa Civil, em uma entrevista marcada por relatos sobre a formação histórica, política e administrativa do estado. Considerado um dos pioneiros da vida pública rondoniense, ele relembrou a chegada ao então território federal, os desafios fundiários da época, a transição para estado e os obstáculos enfrentados pelas primeiras gestões.

Durante a conversa, Amadeu Machado contou que chegou a Rondônia em novembro de 1973, aos 26 anos, contratado pelo Incra para atuar diretamente no trabalho de identificação e regularização de terras. Ao recordar aquele período, destacou que a realidade era completamente diferente da atual, com comunicação precária, vastas áreas devolutas e uma estrutura ainda em formação. “Eu cheguei aqui no mês de novembro de 1973. Esse ano eu vou completar 53 anos de Rondônia. Eu cheguei aqui um menino, com 26 anos”, afirmou.

Segundo ele, o trabalho desenvolvido naquela fase inicial teve papel decisivo na construção do estado que hoje se destaca pela produção e crescimento. Amadeu ressaltou a participação de outros nomes importantes da época e afirmou que os resultados daquele esforço ainda podem ser percebidos no presente. “O resultado daquilo que nós fizemos lá se apresenta hoje nessa Rondônia pujante, altamente produtiva, e de um povo que chegou do nada e hoje está feliz, realizado e apresentando esses índices maravilhosos de produtividade”, declarou.

Ao falar sobre os conflitos ligados à ocupação territorial, o entrevistado reconheceu que houve disputas e crimes, mas ponderou que parte das narrativas sobre aquele período também foi ampliada por interesses políticos. “Houve conflitos, houve assassinatos, disputas por terras, mas acho que tem um pouco também de uma certa pressão de ordem política para criar um ambiente de conflito, onde, na verdade, não havia esse ambiente”, disse. Ele explicou que, diante dos impasses, muitas situações eram resolvidas por meio de mediação, e quando isso não era possível, havia intervenção judicial e policial.

Foto: Rondonoticias

Amadeu também abordou a diferença entre a legislação ambiental daquela época e as regras atuais. Segundo ele, mesmo no passado já existia previsão de preservação legal nas propriedades, embora em proporção menor. “Naquela ocasião em que nós titulávamos os cidadãos que aqui chegaram, nos títulos definitivos havia cláusula prevendo reserva legal de 50%. O cidadão poderia explorar metade da área. Hoje, a reserva legal em Rondônia passou a ser 80%”, explicou.

Em outro momento da entrevista, o advogado analisou a transformação de Rondônia de território federal em estado e classificou o processo como necessário, porém difícil. Para ele, a mudança ocorreu antes de o novo ente estar plenamente estruturado para funcionar com autonomia. “Essa transição foi um pouco difícil. Não havia plenas condições para essa criação do estado. O estado foi construído na marra”, afirmou. Ele explicou que, enquanto território, Rondônia contava com forte apoio financeiro da União, realidade que mudou com a criação do estado e exigiu nova capacidade de gestão.

Ao comentar os primeiros anos da administração estadual, Amadeu lembrou que a arrecadação era baixa, não havia estrutura tributária adequada e o poder público enfrentava sérias limitações. “A arrecadação do estado era pífia. Não tinha receita. Essa transição não foi um mar de rosas”, resumiu. Ele ainda citou que, anos depois, com o fim da cobertura federal da folha de pagamento, a situação se tornou ainda mais delicada para o governo estadual.

A entrevista também avançou para o campo político, com observações sobre os governos que marcaram a transição e os primeiros anos do estado. Amadeu mencionou que o processo político trouxe novos desafios, pressões e ingerências que impactaram diretamente a administração pública. Ao lembrar o governo de Jerônimo Santana, destacou dificuldades financeiras e denúncias que marcaram aquele período. “O primeiro governador eleito do estado teve sérias dificuldades e encerrou o mandato com quatro folhas de pagamento em atraso”, afirmou.

Ao se reportar sobre os feitos dos governadores do passado, Machado tem em Ivo Cassol como mais realizador deles, embora tenha feito destaque que cada um, a seu tempo, deixou seu legado.

Em um dos trechos mais marcantes, o convidado relatou um episódio vivido em reunião com o então governador, ao comentar o ambiente político daquele período. “Ele disse para mim ficar ali porque lá fora estava cheio de ladrão querendo assaltar o estado”, contou, ao descrever a pressão exercida por grupos interessados em obter vantagens dentro da estrutura pública.

A participação de Amadeu Machado no programa resgatou memórias importantes sobre a formação de Rondônia e ofereceu ao público uma visão de quem acompanhou de perto momentos decisivos da história local. Ao longo da entrevista, ele apresentou lembranças, avaliações e bastidores de uma época que ajudou a moldar a identidade política, administrativa e social do estado.

ASSISTA A ENTREVISTA COMPLETA AQUI:


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