Fundado em 11/10/2001
porto velho, sexta-feira 1 de maio de 2026

PORTO VELHO – RO - O aumento de quase 90% no número de mortes por acidentes na BR-364, agora denunciado pelo deputado federal Lúcio Mosquini, escancara não apenas a gravidade da situação na rodovia, mas também levanta questionamentos sobre a postura tardia da bancada federal diante de um problema anunciado.
Em vídeos divulgados nas redes sociais, Mosquini critica duramente as condições da estrada, apontando buracos, falhas nas obras e o sistema de “Siga e Pare!” como fatores que têm contribuído para o aumento dos acidentes. O parlamentar também associa o cenário à piora na segurança viária ao longo do último ano.
No entanto, a reação ocorre após etapas decisivas do processo de concessão da rodovia, incluindo o leilão que definiu a privatização do trecho. À época, não houve manifestação pública contundente do deputado ou da maior parte da bancada federal de Rondônia, o que agora alimenta críticas sobre uma atuação considerada reativa.
Usuários da BR-364 e analistas políticos avaliam que o atual posicionamento do parlamentar carrega um tom de demagogia, ao enfatizar problemas que já eram conhecidos e amplamente debatidos antes da formalização do modelo de concessão. Para esses setores, a ausência de contestação no momento oportuno enfraquece o discurso apresentado agora, em meio ao agravamento das estatísticas de acidentes.
A rodovia, principal eixo logístico do estado, segue enfrentando desafios estruturais e operacionais que impactam diretamente o transporte de cargas e o deslocamento da população. Enquanto isso, o crescimento no número de vítimas transforma o debate em uma questão urgente de segurança pública.
Especialistas defendem que o enfrentamento da crise exige mais do que exposição de problemas já consolidados. A cobrança recai sobre a necessidade de atuação preventiva e articulada por parte dos representantes políticos, sobretudo em fases decisivas como a definição de concessões e contratos.
Com o cenário agravado e a pressão social em alta, a BR-364 permanece como símbolo de um problema que, para muitos, poderia ter sido enfrentado antes de atingir níveis tão críticos — evitando que o debate chegasse apenas depois do “leite derramado”.