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porto velho, terça-feira 5 de maio de 2026

PORTO VELHO - RO - A audiência pública realizada nessa segunda-feira (04), no auditório da OAB-RO, reuniu representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), parlamentares e lideranças para discutir o impacto do pedágio na BR-364. O encontro, porém, foi marcado menos por soluções e mais pela constatação incômoda: a reação política dos representantes de Rondônia no Congresso Nacional, chegou depois da conta cobrada.
O senador Marcos Rogério-PL, presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado, cobrou revisão das tarifas e reconheceu o óbvio: o peso do pedágio no frete, nos alimentos e no bolso da população. O diagnóstico é correto. O problema é o timing que o senador perdeu.
Quando o modelo de concessão foi estruturado e levado a leilão, o que se viu da bancada federal de Rondônia em Brasília — incluindo o próprio senador — foi um silêncio constrangedor. Não houve o enfrentamento necessário, nem a pressão política proporcional ao impacto que hoje se denuncia. A cancela foi instalada sem resistência à altura. Agora, com o pedágio em funcionamento, o discurso endurece — mas já sob o peso da realidade imposta.
Durante a audiência, o diretor da ANTT, Guilherme Theo, falou em diálogo e possibilidade de reavaliação com base no fluxo de veículos, além de confirmar a antecipação de obras como o acesso ao porto de Porto Velho. Medidas importantes, mas que não afastam a percepção de que a mobilização política ocorre em atraso.
A crítica, que ecoou nos bastidores do evento, é direta: faltou voz quando ainda havia margem para mudar o contrato; sobra indignação quando o impacto já é sentido diariamente pela população. O resultado é um roteiro conhecido — primeiro se assiste, depois se reage.
A audiência escancarou não apenas o problema do pedágio, mas também a fragilidade de uma atuação parlamentar que, no momento decisivo, optou pelo silêncio. E, na política, silêncio também cobra pedágio — geralmente mais caro.
Não obstante, a cobrança nas urnas por parte do eleitor, parece que ainda está em tempo.