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porto velho, terça-feira 5 de maio de 2026

Quem assistiu, ontem, no auditório da OAB, a mais um capítulo de um roteiro já conhecido pelo cidadão rondoniense, também se revoltou: o da indignação tardia. A audiência pública que discutiu a revisão do pedágio da BR-364 escancarou aquilo que o bolso da população já sente há semanas — a conta chegou, e chegou alta.
O senador Marcos Rogério-PL cobrou da Agência Nacional de Transportes Terrestres a revisão das tarifas. O discurso foi firme, alinhado com o clamor popular. Mas é impossível ignorar o ponto central dessa história: onde estava essa firmeza do parlamentar quando o modelo de concessão ainda estava sendo desenhado?
A BR-364 não virou pedagiada da noite para o dia. Houve edital, debate, leilão. Houve tempo — e muito — para que a bancada federal de Rondônia levantasse a voz, questionasse números, exigisse ajustes. Não o fez. Preferiu o silêncio. Um silêncio que agora cobra caro, na cancela e no prato do trabalhador.
O que se viu na OAB foi o retrato de uma política que reage, mas não antecipa. Que corre atrás do prejuízo, mas não evita o dano. Criticar o pedágio depois de implantado é fácil. Difícil — e necessário — seria ter enfrentado o modelo antes, quando ainda era possível impedir que Rondônia fosse submetida a tarifas que estrangulam sua economia.
E mais: não se trata apenas de preço. Trata-se de responsabilidade. Porque cada centavo cobrado na rodovia se transforma em frete mais caro, alimento mais caro, vida mais difícil.
A população não precisa de discursos após o leite derramado. Precisa de representação eficiente no momento certo. Precisa de uma bancada que fale alto antes da assinatura, não depois da cobrança.
Fica o recado: o leite já derramou, o pedágio não começou ontem. Mas a paciência do povo, essa sim, está perto de acabar no próximo mês de outubro.