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porto velho, quarta-feira 24 de junho de 2026

PORTO VELHO - RO - A menos de quatro meses das eleições, o cenário da esquerda em Rondônia é de apreensão. Nos bastidores dos partidos alinhados ao campo progressista, cresce a avaliação de que as candidaturas lançadas até agora não conseguiram despertar entusiasmo nem entre os próprios militantes, muito menos junto ao eleitorado.
A preocupação é tanta que lideranças já discutem uma alternativa considerada extrema para evitar um desempenho desastroso nas urnas: a formação de um grande bloco eleitoral, um "chapão" reunindo PT, PSB, PSOL e outras forças de esquerda sob uma candidatura única.
A proposta, segundo relatos obtidos pela reportagem, tem defensores importantes dentro do próprio campo progressista. Um dos principais articuladores da ideia avalia que as candidaturas colocadas até agora "não saíram do papel" e que, mantidas separadamente, correm o risco de repetir um roteiro conhecido: campanhas com pouco alcance, escassa mobilização popular e resultados eleitorais modestos.
Atualmente, os nomes colocados na disputa são Expedito Netto, pelo PT, Samuel Costa, pelo PSB, e Luiz Teodoro, pelo PSOL. Nenhum deles, porém, conseguiu transformar a pré-campanha em um movimento capaz de gerar expectativa política ou ampliar a presença da esquerda no debate eleitoral estadual.
Nos bastidores, a leitura é dura. Um dirigente ouvido pela reportagem resumiu o sentimento predominante em apenas uma frase: "As candidaturas morreram no nascedouro".
A avaliação reflete o momento delicado vivido pela esquerda em Rondônia, um dos estados mais conservadores e bolsonaristas do país. Enquanto as forças de centro-direita e direita ocupam o noticiário político, realizam grandes eventos e estruturam alianças para 2026, os partidos progressistas ainda enfrentam dificuldades para construir uma narrativa capaz de mobilizar suas bases.
O principal obstáculo para o chamado "chapão" está justamente nas divergências internas. O PT defende que qualquer composição seja liderada pela legenda, posição que encontra resistência em outros setores.
Samuel Costa, do PSB, é apontado como o principal foco de resistência à proposta. Pessoas próximas ao pré-candidato afirmam que ele não demonstra disposição para abrir mão do projeto próprio e entende que ainda existe espaço para consolidar sua candidatura.
Já Luiz Teodoro, do PSOL, mantém silêncio sobre o assunto. Até o momento, o dirigente não sinalizou publicamente se apoiaria uma eventual unificação das forças de esquerda ou se pretende manter seu nome na disputa.
Enquanto o debate avança nos bastidores, o relógio eleitoral continua correndo. E quanto mais o tempo passa sem definição, maior é a preocupação entre dirigentes que enxergam o risco de a esquerda chegar à campanha oficialmente dividida, enfraquecida e sem capacidade de protagonismo.
Por enquanto, o único consenso existente entre os grupos progressistas parece ser o diagnóstico: falta fôlego político, sobra divisão interna e a eleição se aproxima em velocidade muito maior do que a capacidade de reação da esquerda rondoniense.