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porto velho, quarta-feira 9 de setembro de 2026

PORTO VELHO-RO: Se apresentando como um candidato antissistema, o deputado federal Rafael Fera é um contumaz crítico das regalias oferecidas à classe política brasileira. Esse perfil combativo rapidamente o alçou à condição de uma das novas lideranças políticas de Rondônia e ajudou a construir sua trajetória pública.
Porém, no exercício do mandato, Rafael Fera vem chamando atenção pela forma como utiliza algumas das benesses oferecidas aos congressistas. Uma delas é a cota parlamentar, por meio da qual ele rotineiramente apresenta pedidos de reembolso de despesas que, diante de seu salário superior a R$ 46 mil, poderia facilmente arcar do próprio bolso.
Somente no último mês de agosto, Fera solicitou o reembolso de R$ 38,60 referentes a uma lasanha à bolonhesa e uma Coca Zero. Segundo o registro da despesa, o deputado pagou a conta com uma cédula de R$ 50, recebeu o troco, solicitou a nota fiscal e posteriormente apresentou o documento para ressarcimento pela Câmara Federal.
Esse tipo de declaração de gastos não é comum entre os deputados da bancada rondoniense. No caso de Fera, entretanto, que assumiu o mandato no meio da atual legislatura, pedidos desse tipo aparecem de forma recorrente.
Até mesmo os táxis utilizados pelo deputado em Brasília entram na lista. Fera solicita nota fiscal das corridas e pede o reembolso por meio da verba indenizatória.
A prática coloca em evidência uma contradição que merece ser explicada: enquanto construiu sua imagem política criticando o sistema e as regalias da classe política, o deputado utiliza mecanismos oficiais de ressarcimento para despesas de pequeno valor, inclusive alimentação e transporte.
O episódio da lasanha e da Coca Zero pode parecer uma despesa irrisória diante do orçamento da Câmara, mas ganha outra dimensão quando parte de um parlamentar que construiu sua trajetória justamente em cima do discurso de combate aos privilégios.
Dessa maneira, o discurso antissistema de Fera entra em rota de colisão com sua postura no exercício do mandato — uma contradição que agora precisa ser esclarecida à sociedade.
