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    porto velho, sábado 19 de setembro de 2026

Quando os números vestem fantasia nas eleições de Rondônia

Ora, pesquisa deveria ser termômetro: medir a temperatura, não fabricar a febre. Deveria fotografar o momento, não maquiar o retrato...


Redação

Publicada em: 19/09/2026 09:55:21 - Atualizado

imagem - montagem rondonoticias/ia

CRÔNICA DE FIM DE SEMANA

Quando os números vestem fantasia nas eleições de Rondônia

Arimar Souza de Sá

Estamos no fervilhar das campanhas eleitorais. Em Rondônia, junto com discursos, promessas, santinhos e vídeos, começam também a circular nas redes sociais e sites de notícias, pesquisas que despertam dúvidas, alimentam desconfianças e, em alguns casos, acabam sob o olhar atento da Justiça Eleitoral.

Ora, pesquisa deveria ser termômetro: medir a temperatura, não fabricar a febre. Deveria fotografar o momento, não maquiar o retrato. Quando perde esse compromisso, deixa de informar e passa a jogar neblina sobre a cabeça do eleitor.

Itamar Franco deixou uma frase que atravessou o tempo como pedra lançada contra uma vidraça: “Os números não mentem, mas os mentirosos fabricam números.”

A frase continua atual porque número, em eleição, pesa. Número vira manchete, corre pelas redes sociais, invade grupos de mensagens, cria euforia, desânimo e até a sensação enganosa de que a disputa já terminou antes mesmo de o eleitor chegar à urna.

É aí que mora o perigo. Pesquisa eleitoral não pode virar alquimia. Não pode transformar desejo em porcentagem, torcida em estatística, nem conveniência em metodologia. O eleitor rondoniense não é figurante de um teatro de números. É o dono do voto e merece respeito.

A memória recente também recomenda cautela. Em eleições passadas, houve levantamentos que chegaram às urnas muito distantes do resultado final. Quando isso acontece, a conta chega em forma de descrédito. A urna possui uma virtude implacável: não aceita maquiagem.

Pode-se discutir método, margem de erro, período de coleta e fotografia do momento. Tudo isso faz parte do debate técnico. Mas há algo que não admite atalhos: transparência. E transparência não é favor. É obrigação.

Por isso, a Justiça Eleitoral deve ser espada e farol: cortar no gogó irregularidades e iluminar o caminho do eleitor até as urnas. Não cabe ao TRE escolher o caminho do eleitor. Cabe impedir que placas tortas sejam fincadas no acostamento da democracia.

Instituto sério não teme fiscalização. Número consistente não precisa de maquiagem. Pesquisa confiável suporta luz, lupa e questionamento.

E quem trabalha com a vontade popular precisa compreender uma coisa simples: eleição não é laboratório para aventuras estatísticas. A confiança do eleitor não pode ser tratada com mediocridade ou mercadoria de prateleira.

Rondônia precisa de informação, não de fumaça. Precisa de pesquisa que esclareça, não de números que confundam. No fim, é a urna que fala.

E, diante dela, nenhuma planilha deveria tentar gritar mais alto que a vontade soberana do povo.

Olho vivo, é tempo de reflexão.

AMÉM!


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