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    porto velho, sexta-feira 18 de setembro de 2026

Fúria confirma rompimento com Marcos Rocha e provoca Rogério: “Vivo em Rondônia, não tenho avião nem Rolex”

Candidato do PSD diz que divergências com Marcos Rocha se tornaram incontornáveis, critica saúde, pedágio e estradas e endurece discurso contra adversários...


Redação

Publicada em: 18/09/2026 14:45:08 - Atualizado

PORTO VELHO - RO - O candidato do PSD ao Governo de Rondônia, Adailton Fúria, mostrou durante entrevista ao programa A Voz do Povo, apresentado por Arimar Souza de Sá, na Rádio Caiari, FM, 103,1, que sua campanha entrou definitivamente numa fase de confronto. Ao lado das propostas para saúde, infraestrutura, segurança pública, emprego e renda, Fúria falou abertamente sobre o afastamento do governador Marcos Rocha e ainda reservou uma provocação direta ao adversário Marcos Rogério-PL.

Fúria afirmou que as divergências com Marcos Rocha chegaram a um ponto em que não foi possível contorná-las. O desgaste já vinha sendo registrado nos bastidores políticos, principalmente porque o candidato resistia a defender setores da atual administração que considera problemáticos, como saúde, estradas e segurança. Nesta sexta-feira, 18 de setembro, o próprio Fúria declarou em outra sabatina que perdeu o suporte do governador e que Rocha estaria apoiando outro candidato. 

A declaração ajuda a confirmar que a relação política construída entre os dois praticamente se desfez em plena campanha. Nos últimos dias, veículos locais já apontavam forte deterioração dessa aliança, embora até então não houvesse uma declaração tão explícita do próprio candidato sobre a perda de apoio do governador. 

Fúria também mirou Marcos Rogério. Ao falar de seu próprio perfil, apresentou-se como um político humilde e, numa alfinetada ao adversário do PL, afirmou que essa seria uma diferença entre os dois. A provocação sinaliza que o embate direto entre as duas candidaturas tende a ganhar força na reta decisiva. “Vivo em Rondônia, não tenho avião nem Rolex”

Mas foi a saúde que ocupou o centro da entrevista. Fúria afirmou que Rondônia convive com um sistema caro, concentrado e incapaz de entregar à população um serviço compatível com o volume de recursos disponíveis. O principal exemplo citado foi o Hospital João Paulo II, em Porto Velho.

Na avaliação do candidato, a unidade se tornou destino de praticamente todos os tipos de emergência, recebendo vítimas de acidentes, baleados, esfaqueados, pacientes cardíacos e casos de diferentes especialidades.

Para Fúria, o problema não será resolvido apenas colocando mais dinheiro na mesma estrutura. A proposta apresentada é mudar o desenho do atendimento, descentralizando serviços e criando um Hospital dos Acidentados, inicialmente na capital, para retirar parte da pressão hoje concentrada no João Paulo II. “O gestor que não cuida da saúde do povo não está cuidando do povo”, afirmou.

Fúria recorreu repetidamente à experiência como prefeito de Cacoal para defender seu discurso. Citou hospitais, maternidade, pronto-socorro infantil, Centro do Autista, creches e o Tarifa Zero como realizações que pretende usar de referência caso chegue ao Governo.

Nas estradas, o diagnóstico também foi duro. O candidato afirmou que parte da malha estadual está sucateada e que o DER perdeu capacidade de resposta por falta de máquinas e equipamentos. Segundo ele, uma eventual gestão do PSD pretende destinar cerca de R$ 300 milhões de recursos de financiamento para reequipar o órgão.

União Bandeirantes, Rio Preto, Bom Futuro, Cujubim, Machadinho e outros corredores estratégicos foram citados como exemplos de regiões que precisam de investimentos.

O pedágio da BR-364 virou outro alvo. Fúria afirmou que a cobrança encarece o transporte, afeta a produção, pesa no bolso do consumidor e dificulta a chegada de novos investimentos a Rondônia. Disse ainda que pretende liderar uma articulação em Brasília para pressionar pela redução das tarifas e pelo cumprimento das obras previstas no contrato.

O candidato aproveitou para bater na política tradicional e também em promessas feitas durante o período eleitoral. “É a época da promessa, da promessa, da promessa”, disparou.

A economia entrou logo depois. Fúria disse ter encontrado empresários preocupados com a queda do movimento comercial e sustentou que Rondônia precisa voltar a produzir riqueza a partir de suas próprias vocações.

Agricultura familiar, café, leite e fortalecimento das cadeias produtivas aparecem entre os caminhos defendidos pelo candidato para movimentar os municípios e recuperar emprego e renda.

Para ele, não basta esperar que a economia reaja sozinha. O Governo precisa participar.

Na juventude, Fúria defendeu uma política agressiva de profissionalização. Segundo ele, muitos adolescentes e jovens chegam ao mercado de trabalho sem experiência e sem capacitação, obrigando o próprio empresário a assumir o papel de formador.  A proposta é ampliar escolas profissionalizantes pelo Estado e aproximar educação e mercado de trabalho.

O candidato também falou de políticas para mulheres, principalmente no enfrentamento à violência doméstica e na geração de oportunidades econômicas. Defendeu maior integração entre escola, assistência social e rede de proteção para identificar situações de violência ainda dentro dos lares.

Na segurança pública, Fúria afirmou que o Estado precisa recuperar capacidade operacional e enfrentar a falta de estrutura que atinge diferentes regiões.

Saúde, infraestrutura e segurança foram apresentadas por ele como as três grandes prioridades imediatas de uma eventual gestão.  Emprego, renda, qualificação profissional e atração de investimentos completariam esse primeiro núcleo de ações.

Politicamente, porém, a entrevista deixou outra mensagem. Fúria não pretende mais carregar no discurso a obrigação de defender a administração Marcos Rocha. Ao contrário: ao afirmar que as divergências ficaram incontornáveis, abre uma linha clara de separação entre sua candidatura e o atual governo.  Ao mesmo tempo, aumenta o tom contra Marcos Rogério e outros adversários. “Rondônia precisa de menos Brasília e mais Rondônia”, resumiu.

A campanha do PSD muda, portanto, de temperatura. Fúria passa a disputar não apenas propostas, mas também narrativa política: distancia-se de Rocha, provoca Marcos Rogério e tenta transformar sua passagem pela Prefeitura de Cacoal no principal argumento para convencer o eleitor de que pode comandar Rondônia com a maestria necessária.


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