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    porto velho, quinta-feira 23 de julho de 2026

EUA confirmam tarifa sobre trabalho forçado; Brasil terá alíquota de 12,5%

USTR considerou que país falhou no combate à produção que se beneficia de trabalho forçado...


João Nakamura, da CNN Brasil, em São Paulo

Publicada em: 23/07/2026 18:15:34 - Atualizado

Foto: Reprodução

O USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) confirmou nesta quinta-feira (23) a aplicação de uma nova tarifa contra 60 países que teriam se beneficiado comercialmente de produtos ligados ao trabalho forçado.

As alíquotas são de 10% para países que, segundo o USTR, "se comprometeram a adotar e a aplicar efetivamente proibições à importação de trabalho forçado"; e de 12,5% para países que não teriam adotado tal proibição.

O Brasil acabou atingido pela alíquota mais elevada, como adiantado pelo analista de Internacional da CNN Brasil, Lourival Sant'Anna.

A tarifa se soma a taxas anteriores aplicadas contra o país, como a de 25% anunciada em decorrência de investigação sobre práticas comerciais brasileiras consideradas desleais pelos EUA.

"O Representante Comercial determinou, de acordo com a orientação específica do Presidente, que a taxa tarifária a ser aplicada e o escopo das tarifas e isenções são apropriados para obter a eliminação dos atos, políticas e práticas considerados passíveis de ação na investigação", diz documento do órgão.

Além do Brasil, o USTR avaliou que outras 53 economias "falharam em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado". São elas:

  1. Argélia;
  2. Angola;
  3. Argentina;
  4. Austrália;
  5. Bahamas;
  6. Bahrein;
  7. Bangladesh;
  8. Brasil;
  9. Camboja;
  10. Chile;
  11. China;
  12. Colômbia;
  13. Costa Rica;
  14. República Dominicana;
  15. Egito;
  16. El Salvador;
  17. Guatemala;
  18. Guiana;
  19. Honduras;
  20. Hong Kong;
  21. Índia;
  22. Iraque;
  23. Israel;
  24. Japão;
  25. Jordânia;
  26. Cazaquistão;
  27. Kuwait;
  28. Líbia;
  29. Malásia;
  30. Marrocos;
  31. Nova Zelândia;
  32. Nicarágua;
  33. Nigéria;
  34. Noruega;
  35. Omã;
  36. Peru;
  37. Filipinas;
  38. Catar;
  39. Rússia;
  40. Arábia Saudita;
  41. Singapura;
  42. África do Sul;
  43. Coréia do Sul;
  44. Sri Lanka;
  45. Suíça;
  46. Taiwan;
  47. Tailândia;
  48. Trinidad e Tobago;
  49. Turquia;
  50. Emirados Árabes Unidos;
  51. Reino Unido;
  52. Uruguai;
  53. Venezuela;
  54. Vietnã.

Ficou reservada a taxa de 10% a seis parceiros dos EUA. Sendo:

  1. Canadá;
  2. Equador;
  3. União Europeia;
  4. Indonésia;
  5. México;
  6. Paquistão.

Alguns produtos foram isentos desse novo episódio de tarifaço. São eles:

Materiais informativos, doações e bagagem acompanhada;

Todos os artigos e partes de artigos sujeitos às tarifas da seção 232;

Matérias-primas que, se sujeitas às tarifas adicionais propostas, poderiam levar à indisponibilidade do fornecimento interno nos EUA;

Produtos que poderiam causar perturbações em toda a economia se sujeitos às tarifas adicionais propostas;

Certos produtos que não podem ser cultivados ou produzidos em quantidades suficientes nos Estados Unidos ou obtidos de outras fontes;

Produtos que, se isentos dessas tarifas, incentivariam as economias a promulgar e aplicar efetivamente uma proibição de importação de trabalho forçado;

Artigos para os quais as tarifas adicionais podem não contribuir substancialmente para a eliminação dos atos, políticas e práticas considerados passíveis de ação nas investigações.

Entre os produtos isentos aparecem petróleo e gás, fertilizantes e alimentos, como carne.

A nova alíquota entra em vigor à 01h01, no horário de Brasília, desta sexta-feira (24). Mercadorias que já estejam em trânsito para os EUA poderão entrar no país sem cobrança adicional até terça-feira (28).

O governo brasileiro emitiu uma nota na qual diz rechaçar a sobretaxa de 12,5%. No comunicado, a Presidência voltou a falar que iniciará, de forma imediata, "os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade".


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