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porto velho, sexta-feira 16 de outubro de 2026

PORTO VELHO, RO - Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta sexta-feira (16/10) recebeu o advogado Edirlei Souza para uma análise sobre os resultados das eleições de 2026, a influência das correntes políticas no comportamento dos eleitores e as distorções do sistema eleitoral brasileiro. Durante a entrevista, o convidado destacou o peso do bolsonarismo nas urnas, questionou os critérios de distribuição das vagas no Legislativo e defendeu a necessidade de discutir mudanças nas regras eleitorais.
Ao avaliar o desempenho dos candidatos em Rondônia, Edirlei chamou atenção para um fenômeno que, segundo ele, vai além da popularidade individual dos políticos: a influência das legendas partidárias e dos movimentos ideológicos na decisão do eleitor.
Como exemplo, mencionou a votação expressiva do deputado federal Lúcio Mosquini, que ultrapassou 150 mil votos. Na avaliação do advogado, embora o resultado também reflita o trabalho desenvolvido pelo parlamentar, parte significativa desse desempenho estaria associada à força eleitoral do Partido Liberal (PL) e à identificação dos eleitores com o bolsonarismo.
“Eu atribuo essa votação expressiva, na verdade histórica em Rondônia, em boa parte aos feitos, ao trabalho que ele realizou, mas a outra parte eu considero de destaque, que o fez tirar mais de 150 mil votos, ao efeito do bolsonarismo”, afirmou.
Para o entrevistado, o comportamento revela como determinados movimentos políticos conseguem influenciar não apenas a escolha de candidatos majoritários, mas também a votação destinada aos cargos legislativos.
“A onda bolsonarista varreu, igual a onda lulista varreu no passado”, comparou.
A influência das ondas políticas também levou a entrevista a uma discussão sobre o conhecimento dos eleitores a respeito das regras de votação. Edirlei lembrou que, nas eleições de 2018, houve situações em que cidadãos repetiram números associados ao então candidato Jair Bolsonaro em votações para outros cargos, provocando a anulação de votos.
Segundo ele, esse comportamento demonstra a importância da identificação partidária, mas também evidencia dificuldades na compreensão do funcionamento do sistema eleitoral.

Sistema proporcional entra no centro do debate
Um dos momentos centrais da entrevista ocorreu quando Arimar Souza de Sá questionou a capacidade de candidatos com votações expressivas de contribuir para a eleição de outros integrantes do mesmo partido, mesmo quando estes recebem individualmente um número menor de votos.
Em resposta, Edirlei explicou que o sistema proporcional brasileiro, utilizado nas eleições para deputados estaduais, federais e vereadores, considera não apenas o desempenho individual, mas também a votação obtida pelos partidos.
“Hoje você tem um sistema eleitoral que, do ponto de vista do eleitor, é difícil de compreender, sobretudo para os cargos de deputado estadual, deputado federal e vereador”, destacou.
O advogado explicou que muitos eleitores acreditam que os candidatos mais votados serão necessariamente eleitos. Entretanto, a distribuição das cadeiras depende de cálculos que envolvem o desempenho das legendas e as exigências previstas na legislação.
Na avaliação dele, essa característica permite que candidatos com grande capacidade de mobilização eleitoral contribuam para a conquista de vagas por outros integrantes de suas siglas.
Ao abordar novamente a votação de Lúcio Mosquini, Edirlei citou o desempenho do parlamentar para exemplificar como os votos obtidos por um candidato podem fortalecer o partido na disputa pelas cadeiras disponíveis.
O entrevistado também mencionou os desempenhos eleitorais de Nikolas Ferreira e Pablo Marçal, ao discutir a força dos chamados puxadores de votos.
“Eu acredito que a gente tem que repensar esse modelo, sim”, defendeu Edirlei.
Advogado questiona distorções na representação política
Durante a análise, Edirlei reconheceu que a legislação eleitoral passou por mudanças para estabelecer uma votação mínima individual aos candidatos beneficiados pelo desempenho de seus partidos.
Apesar disso, considera que as alterações ainda não resolveram completamente os problemas de representatividade.
“Melhorou, mas a gente pode avançar um pouco mais”, afirmou.
O advogado recordou o chamado efeito Tiririca, fenômeno associado à eleição do humorista para a Câmara dos Deputados e à capacidade de sua votação de contribuir para a eleição de outros candidatos.
Segundo ele, as regras atuais estabeleceram exigências individuais que não existiam naquele período, mas o debate sobre a proporcionalidade da representação continua necessário.
A preocupação apresentada durante a entrevista está relacionada à possibilidade de candidatos com votações individuais expressivas ficarem fora do Legislativo enquanto outros, beneficiados pela votação partidária, conquistam uma cadeira.
Na avaliação de Edirlei, a discussão não deve ignorar a importância dos partidos, mas precisa considerar de maneira mais ampla a vontade manifestada pelo eleitor nas urnas.
Voto distrital misto surge como alternativa
Ao abordar possíveis mudanças, o advogado destacou as discussões sobre o voto distrital misto e outros modelos eleitorais que buscam modificar a forma de escolha dos representantes legislativos.
Edirlei explicou que a divisão territorial das vagas poderia fortalecer a ligação entre os parlamentares e as comunidades que representam.
Como exemplo, citou regiões de Rondônia que poderiam contar com representantes escolhidos a partir de uma distribuição geográfica das cadeiras.

Na avaliação do entrevistado, esse modelo permitiria que os cidadãos identificassem com maior facilidade os responsáveis por defender as demandas de suas localidades.
“Na minha concepção, se o eleitor entender bem, ele vai representar um pouco mais a vontade do eleitor”, avaliou.
O advogado também ressaltou que a proximidade entre representantes e eleitores poderia contribuir para ampliar a cobrança por resultados e fortalecer a responsabilidade política dos parlamentares perante a população.
“Ele aproxima mais o eleitor do eleito, porque o eleito vai saber de fato quem cobrar, a pessoa da região”, explicou.
Reforma eleitoral volta à discussão
Para Edirlei Souza, os resultados das eleições de 2026 reforçam a necessidade de aprofundar o debate sobre as regras que determinam a composição do Poder Legislativo.
O advogado lembrou que propostas de reforma eleitoral vêm sendo discutidas há anos no Congresso Nacional, mas ainda existem divergências sobre qual modelo seria mais adequado à realidade brasileira.
Na entrevista, ele defendeu que o avanço dessa discussão considere tanto o fortalecimento da representação política quanto a compreensão dos eleitores sobre o funcionamento das eleições.
Para o advogado, embora a legislação tenha avançado, ainda há espaço para aperfeiçoar as regras e discutir alternativas que tornem a representação política mais próxima da população.
“Eu acredito que a gente tem que repensar esse modelo, sim”, reiterou o entrevistado ao defender mudanças no sistema eleitoral brasileiro.
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