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Corinthians anuncia que pagará estádio e fecha acordo 'definitivo' com a Caixa

Agora, o clube promete ser 'definitivo'. Situação surreal


r7

Publicada em: 20/11/2023 17:59:30 - Atualizado

São Paulo, Brasil

O acordo foi assinado no dia 19 de julho de 2011.

Ou seja, há 12 anos e quatro meses.

Empréstimo, a juros especiais, mais baixos, por conta da Copa do Mundo de 2014, de R$ 400 milhões da Caixa Econômica Federal, responsável pelo BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

E mais R$ 420 milhões concedidos por isenções fiscais da cidade de São Paulo.

Com todo o apoio do Planalto Central, o Corinthians ganhou possibilidades espetaculares para a construção do seu estádio.

A Copa do Mundo foi a desculpa ideal, já que o estádio, que não existia, abriria a competição, derrubando o Morumbi.

A fórmula de pagamento, proposta pelo então presidente do Corinthians, e homem que articulou a construção do estádio, Andrés Sanchez, foi o desconto das arrecadações dos jogos no estádio.

E a venda dos naming rights, que ele contava ser imediata, ou seja, logo após efetivada a construção, em 2014.

O plano de pagamento foi desastroso. Travou o Corinthians financeiramente. Os juros foram corroendo o dinheiro insuficiente depositado. Além disso, houve incompetência para a venda dos naming rights, só efetivada em 2020. Ou seja, seis anos depois.

Quando o acordo com a Hypera Pharma foi celebrado, a dívida do Corinthians com o estádio era mais de R$ 1 bilhão.

Há um fundo para o pagamento da arena que foi constituído com a construtora Odebrecht, em 2013. A polêmica construtora acabou se afastando da negociação de pagamento do empréstimo junto à Caixa Econômica Federal em 2021.

Os números da dívida corintiana sempre foram guardados sob sigilo.

A Caixa chegou até a dar esse dinheiro como "perdido", em uma auditoria interna.

Mas o clube, envolvido em uma briga intensa para a eleição presidencial, decidiu escancarar. O valor que resta ser pago é de R$ 611 milhões.

E como esse dinheiro seria "quitado"?

Com o Corinthians trocando a dívida atual, assumindo precatórios, ou seja, dívidas da própria Caixa. Mas com juros menores.

E a Caixa passará a receber diretamente as parcelas da venda dos naming rights da arena, que a Hypera Pharma pagará até 2040.

Além disso, o clube segue com a ideia de colocar 49% das ações do estádio para negociação na Bolsa de Valores.

O presidente da Caixa Econômica, Carlos Vieira, foi ao estádio ontem, posou para fotos. E sacramentou o acordo de pagamento com a direção corintiana.

O acordo foi divulgado em detalhes hoje.

Data mais do que oportuna.

No sábado haverá eleições no clube.

O acordo serve como trunfo do candidato da situação: André Luiz Oliveira, conhecido como André "Negão".

Conselheiros que apoiam Augusto Melo protestam, querem detalhes de toda a negociação. Chegam a clamar nos corredores do Parque São Jorge se tratar de um "golpe eleitoral".

A verdade é que, 12 anos e quatro meses depois, o estádio construído com dinheiro público parece que, finalmente, tem um plano efetivo de pagamento.

Só para que ninguém se esqueça.

Os juros de 2023 com o estádio passam de R$ 100 milhões.

Por isso, a dívida era considerada "eterna".

Ou "impagável", como repetem os opositores de Andrés.

Uma visita de Duilio ao presidente Lula, para "dar a camisa de Cássio", foi estratégica.

Foram os dois que articularam o acordo "definitivo" com a Caixa.

Não é segredo que o estádio só existe por influência de Lula.

E por sua forte amizade com Andrés Sanchez...




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