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porto velho, sexta-feira 6 de março de 2026

PORTO VELHO - RO - A movimentação do prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro-Podemos, em direção a uma pré-candidatura ao governo de Rondônia começa a gerar mais interrogações do que entusiasmo nos bastidores da política estadual.
A projeção de seu nome vem acompanhada de forte exposição pública, dezenas de entrevistas, mas ainda carece do elemento que sustenta voos mais altos na política: resultados administrativos sólidos.
No tabuleiro político rondoniense, onde lideranças como Léo Moraes-Podemos já ocupam espaço consolidado, com tão pouco tempo à frente da municipalidade portevelhense, a tentativa de protagonismo estadual de Flori exige mais do que discurso e marketing. Exige gestão comprovada com suas próprias mãos e não pela condução de terceiros.
E é justamente nesse ponto que surge um tema sensível na administração de Vilhena. A prefeitura decidiu terceirizar a gestão do Centro Especializado em Reabilitação (CER IV) Dr. Nazareno João da Silva, firmando contrato de cerca de R$ 11,4 milhões, sem licitação, com uma organização social do Rio Grande do Sul.
A justificativa oficial aponta urgência provocada por cobranças do Ministério Público e decisões judiciais para funcionamento do serviço. A legislação permite a dispensa de licitação em situações emergenciais. Politicamente, porém, a medida levanta uma pergunta inevitável: como um serviço essencial e previsível chegou ao ponto de depender de uma contratação emergencial milionária empurrada por uma entidade fiscalizadora?
A terceirização da saúde, nesse contexto, começa a ser vista menos como estratégia de eficiência e mais como reflexo de fragilidade administrativa e falta de planejamento.
Não se trata de debate ideológico. O modelo de organizações sociais é permitido no SUS. O ponto central é outro: quando a solução aparece apenas após pressão judicial, a gestão deixa de parecer estratégica e passa a soar reativa.
Para quem tenta construir uma candidatura estadual, esse tipo de episódio pesa, principalmente quando é levada como mote de campanha. Porque na política uma regra permanece imutável: visibilidade pode ser construída com marketing, mas liderança verdadeira se sustenta com entrega administrativa. E no caso em tela, o marketing de Flori faz água.