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    porto velho, quarta-feira 21 de janeiro de 2026

Feminicídio em Rondônia deixa 2 mil crianças órfãs e mantém estado em alerta

Embora não figure entre os estados com maior número absoluto de casos, Rondônia segue em situação...


Redação

Publicada em: 21/01/2026 09:21:08 - Atualizado

PORTO VELHO-RO:  Rondônia registrou 25 casos de feminicídio entre os 1.470 assassinatos de mulheres ocorridos no Brasil, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgados pelo portal da Globo. Com esse número, o estado ocupa a 20ª posição no ranking nacional de mortes de mulheres praticadas por companheiros, ex-companheiros ou ex-parceiros.

Embora não figure entre os estados com maior número absoluto de casos, Rondônia segue em situação preocupante dentro da Região Norte, onde a violência contra a mulher apresenta índices historicamente elevados. Estados como Pará e Amazonas, por exemplo, concentram números mais altos devido à população maior, mas Rondônia mantém proporção significativa, sobretudo quando analisado o impacto social dos crimes.

Um dos dados mais alarmantes do levantamento é o número de crianças órfãs. De acordo com o Governo Federal, cerca de 2 mil crianças em Rondônia perderam as mães em decorrência do feminicídio, passando a depender de familiares, do sistema de assistência social ou de políticas públicas de acolhimento.

A maioria dos crimes ocorre dentro do ambiente doméstico e é precedida por episódios de violência física, psicológica ou ameaças. Especialistas apontam que o feminicídio é o estágio final de uma escalada de agressões, muitas vezes já conhecida pelas autoridades.

Na Região Norte, a situação é agravada por fatores como distâncias geográficas, dificuldade de acesso a delegacias especializadas, rede de proteção limitada em municípios do interior e demora no cumprimento de medidas protetivas. Esses obstáculos dificultam a interrupção do ciclo de violência antes que ele resulte em morte.

Apesar da existência de legislações específicas, como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio, especialistas defendem que o combate ao crime passa, sobretudo, pela prevenção, fortalecimento da rede de apoio às vítimas e resposta rápida do Estado diante de denúncias.

Os números reforçam que o feminicídio não atinge apenas as vítimas diretas, mas deixa um rastro de dor, trauma e desestruturação familiar, com impactos duradouros para toda a sociedade.


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