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porto velho, quarta-feira 21 de janeiro de 2026

PORTO VELHO-RO: Conhecido basicamente dentro dos limites geográficos de Vilhena, o prefeito Flori Cordeiro-Podemos resolveu ampliar o campo de visão — e de ambição. O gestor municipal agora ensaia passos rumo a uma candidatura ao Governo de Rondônia, mesmo sem apresentar, até aqui, densidade eleitoral que ultrapasse as placas de “Bem-vindo” ao Cone Sul.
Flori se movimenta como quem sabe que a largada não garante chegada, mas ainda assim faz questão de vestir o figurino de candidato majoritário e faz barulho buscando holofote. No discurso, diz querer ser governador. Nos bastidores, a leitura é outra: ‘cacifagem’ futura, e visibilidade estadual, ainda que o voto, por ora, seja artigo raro fora de Vilhena.
Sem musculatura própria, o prefeito tem buscado apoios por onde passa. E ninguém tem sido tão procurado por ele quanto o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, hoje bem avaliado na capital.
Volta e meia, Flori aparece, reaparece, insiste, pede conversa, pede agenda e pede apoio. Léo, por sua vez, escuta, pondera e devolve sempre a mesma resposta: pede tempo para pensar. Tempo que, na política, costuma ser sinônimo de cautela — ou de elegante recusa em apoiar.
Em recente entrevista ao programa A Voz do Povo, na Rádio Caiari, em Porto Velho, Flori demonstrou sinceridade desconcertante ao falar de sua trajetória jurídica. Gabar-se de ter respondido a inúmeros processos, incluindo condenação por irregularidade em propaganda eleitoral, fato que não é exatamente o cartão de visitas mais recomendável para quem pretende administrar o Estado. Mas, ao que parece, virou argumento de currículo: sobreviveu a todos, logo estaria pronto para voos mais altos.
O problema é que Rondônia não é apenas um palco para ensaios. O eleitor já demonstrou, mais de uma vez, que diferencia projeto de vaidade, ambição legítima de improviso político. Governar o Estado exige mais do que disposição retórica, entrevistas bem-humoradas e a crença de que ser prefeito de Vilhena gera exposição, gera viabilidade.
Por enquanto, a candidatura de Flori soa mais como balão de ensaio do que como projeto consistente que se possa levar a sério. Um teste de temperatura, um recado interno, um “estou no jogo” lançado ao vento. Um se colar, colou. Se vai ganhar corpo, é outra história. Em política, tudo é possível.