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porto velho, quinta-feira 23 de abril de 2026

PORTO VELHO-RO: Apresentado pelo jornalista e advogado Arimar Souza de Sá, o programa A Voz do Povo desta quinta-feira (23) recebeu o secretário de Infraestrutura de Porto Velho, Giovanni Marini. Durante a entrevista, um dos temas centrais foi a crise na coleta de lixo na capital, que tem gerado reclamações frequentes da população e colocado em xeque a eficiência do serviço.
Porto Velho enfrenta uma onda de reclamações sobre falhas na coleta de lixo, problema que, segundo a Secretaria Municipal responsável pelo serviço, tem origem direta em um processo recente de transição contratual entre empresas. A mudança, considerada inédita no formato adotado pela capital, revelou fragilidades na execução do serviço e exigiu medidas emergenciais por parte da gestão.
De acordo com o secretário, a substituição da empresa anterior ocorreu após questionamentos de órgãos de controle, como o Tribunal de Contas e o Ministério Público. Com a saída da prestadora inicial, a segunda colocada assumiu de forma temporária, mas não conseguiu atender plenamente a demanda da cidade. Diante disso, a Prefeitura acionou a terceira colocada no processo licitatório para garantir a continuidade da coleta.
O secretário reconhece que houve falhas nesse período, mas afirma que a atual transição está sendo conduzida com maior rigor técnico e fiscalização. “O que foi prestado é pago. O que não foi executado corretamente gera notificação e sanção”, explicou, destacando que o contrato prevê mecanismos de punição e descontos proporcionais às falhas.
A nova empresa contratada, identificada como Sistemma, iniciou operação com exigências rigorosas previstas em edital. Segundo a Secretaria, foram apresentados cerca de 40 caminhões compactadores, além de equipamentos específicos para atender regiões como o Baixo e Alto Madeira. A estrutura inclui ainda balsas e embarcações para áreas de difícil acesso.
Apesar disso, parte da população questiona a capacidade operacional da empresa, especialmente diante de relatos de acúmulo de lixo em alguns bairros. A Secretaria rebate, afirmando que a situação não é generalizada e que o cenário atual está longe de um colapso. “Dizer que a cidade está tomada pelo lixo não corresponde à realidade”, pontuou o gestor.
O monitoramento da coleta ocorre por meio de um sistema integrado, com veículos equipados com GPS e acompanhamento por fiscais, ainda que por amostragem. Além disso, denúncias feitas por moradores, seja por canais oficiais, ouvidoria ou redes sociais, são utilizadas como base para atuação imediata das equipes.
A cidade produz, em média, cerca de 10 mil toneladas de resíduos por mês, volume que pode aumentar em até 20% em períodos festivos. Parte desse material é encaminhada diretamente ao aterro sanitário, enquanto outra parcela segue para coleta seletiva e triagem em cooperativas, como a Catanorte, instalada na antiga área da Vila Princesa.
O município também tem avançado em iniciativas como a compostagem de resíduos orgânicos, especialmente oriundos de feiras, o que já gera economia estimada em até R$ 2 milhões anuais, além de fomentar emprego e produção de adubo.
Um dos principais desafios apontados pela gestão, no entanto, não está apenas na logística, mas no comportamento da população. A falta de separação correta do lixo compromete a eficiência da coleta seletiva e impacta diretamente o trabalho das cooperativas e dos profissionais envolvidos.
Outro ponto sensível é o manejo de resíduos hospitalares, que seguem protocolo específico, com coleta diferenciada e destinação por incineração. Nesse caso, a fiscalização é ainda mais rigorosa, devido ao risco sanitário envolvido.
A Prefeitura afirma que trabalha para regularizar completamente o serviço em até uma semana nas áreas afetadas pela atual transição. Paralelamente, estuda intensificar campanhas de educação ambiental para conscientizar a população sobre a importância da separação e descarte adequado dos resíduos.
Enquanto isso, a coleta de lixo segue como um dos termômetros mais sensíveis da gestão urbana — onde falhas rapidamente ganham as ruas e cobram respostas imediatas do poder público.
Confira a entrevista na íntegra: