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porto velho, quarta-feira 27 de novembro de 2024
PORTO VELHO,RONDÔNIA- Em média, 30 crianças são atendidas diariamente pela equipe de psicólogos do Hospital Infantil Cosme e Damião, em Porto Velho. Pais e mães recebem orientações.
Bem visível nos consultórios, enfermarias e corredores, essa equipe trata de sentimentos e angústias das pessoas. “Fazemos a escuta psicológica e danos apoio emocional à criança e à família”, explica o psicólogo João Selhorst.
Na terça-feira, por exemplo, João tinha na escala atendimento de 11 crianças na enfermaria 1, 7 na enfermaria 2, 5 na enfermaria 3, 2 na emergência e 4 no CIP (Cuidados Intensivos Pediátricos).
A clientela é permanente e a equipe formada por seis profissionais também visita o setor de emergência, informa a psicóloga Kelma Johnson. Segundo ela, o uso excessivo da tecnologia acarreta consequências na adolescência ou na vida adulta, entre as quais, dificuldade de interagir com as demais pessoas. “Tecnologias proporcionam uma interação muito introspectiva, a parte social é prejudicada’’, considera a psicóloga.
Segundo explica o psicólogo João Selhorst, a equipe “forma a ponte que facilita a comunicação entre o hospital e familiares”. “Todo dia é uma situação nova”, diz.
Hospitalizações prolongadas na rotina à qual a equipe se dedica. Há pacientes que ficam até um ano internados. “Em 2015, um menino de sete anos, aqui de Porto Velho, sofreu degeneração muscular e nos familiarizamos com ele”, conta o psicólogo.
Situações de queimaduras domésticas e de vítimas de tentativas de homicídio até por incêndio são também tratadas. Nesses casos, a presença de pais e parentes é indispensável no hospital.
EMBARAÇOS FAMILIARES
Crianças hospitalizadas com pneumonia, por exemplo, possibilitam a descoberta de situações embaraçosas de familiares. Quando existem situações mal resolvidas entre casais, elas se refletem na criança, explica João. “O ideal é a busca de acompanhamento, cuidando de si próprio para melhorar as emoções dos filhos”, ele orienta.
“Quando a mãe relata que o filho ou a filha têm problema na escola, conversamos com ela e pedimos o encaminhamento ao atendimento psicológico. É caso de desatenção”, assinala.
O pai se queixa de irritação, do baixo rendimento escolar do filho. Psicólogos então avaliam a falta de atenção diferenciada à criança.
A febre da digitalização trouxe algo nocivo, alerta João. “Existe um empobrecimento das relações, o contato pessoal foi substituído pelo virtual, embora essa tecnologia surgisse para aproximar e não para distanciar pessoas”.
Segundo ele, a autopercepção é essencial. “Pais precisam se preocupar com a qualidade dos relacionamentos interpessoais, porque eles são as primeiras referências dos filhos, enquanto a segunda são os professores, ao observarem conduta e comportamento deles”, aconselha.
A rotina do Cosme e Damião levou os psicólogos a adotar quatro aconselhamentos aos pais: 1) deixar claro aos filhos os seus próprios sentimentos. Dizer-lhes que são amados, porque evita ansiedade;
2) estimulá-los à autonomia, ensinando-lhes a escovar os dentes, pentear cabelos, entre outros hábitos, proporcionando-lhes a sensação do “sou capaz”;
3) apoiarem atividades escolares, sobretudo no sentido de auxiliá-los nos deveres, diminuindo críticas, falhas e erros, mas deixando claro que a criança pode melhorar;
4) fazê-los entender que as falhas contribuem para melhorar o crescimento, ou seja, não lhes atribuir diretamente a culpa por elas, mas a um comportamento. Se a criança fizer uma arte, por exemplo, a conversa e a explicação funcionam muito mais; 5) valorizar as conquistas, mesmo pequenas, pois isso dará à criança o sentimento de capacidade, autonomia e autoestima.
A CRIANÇA TEM QUE SE SENTIR ESPECIAL