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    porto velho, quarta-feira 14 de janeiro de 2026

Ação dos EUA contra Maduro dispara alerta ao Irã em meio a protestos populares no país

Regime dos aiatolás teme ser um dos próximos alvos do presidente Donald Trump, que já fez várias ameaças


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Publicada em: 13/01/2026 10:26:58 - Atualizado

MUNDO: O ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, que culminou com a captura do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, ativou os alarmes da liderança do regime do Irã.

O Irã era um dos aliados mais próximos de Maduro, que se manteve no poder em 2024 após uma ampla fraude eleitoral e não é reconhecido nem pela Alemanha nem pela União Europeia como presidente legítimo da Venezuela.

Com essa intervenção surpreendente, o presidente dos EUA, Donald Trump, demonstrou que a sua administração está disposta a recorrer a medidas militares para derrubar um regime inimigo, em violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional, o que envia um sinal claro de alerta a outros regimes autoritários.

O Irã exigiu a libertação imediata de Maduro. "O presidente de um país e a sua esposa foram sequestrados", declarou um porta-voz do Ministério iraniano do Exterior. "Não há motivo para orgulho. É um ato ilegal", concluiu.

Unidos por um inimigo comum

As relações entre o Irã e a Venezuela dificilmente se explicam pelos padrões tradicionais da política externa. A Venezuela situa-se no Caribe e tem uma população majoritariamente católica, enquanto o Irã está no Golfo Pérsico e é predominantemente muçulmano. O comércio bilateral é modesto e não existem voos diretos entre Caracas e Teerã.

O que os une é um inimigo comum: os Estados Unidos. Eles também estão unidos na resistência às sanções internacionais e na habilidade de sobreviver dentro de uma ordem mundial dominada por Washington.

Nas últimas três décadas, a combinação de simpatia política mútua e retórica antiamericana evoluiu para uma rede complexa de cooperação que abrange petróleo, finanças, indústria e segurança.

Ameaças de Trump

Os acontecimentos políticos na Venezuela surgem num momento sensível para o Irã. O país é palco de protestos que já duram mais de suas semanas. Motivados inicialmente pela inflação, os manifestantes passaram a se voltar cada vez mais contra o regime dos aiatolás.

Diante disso, Trump não hesitou em lançar alertas ao Irã, até mesmo ameaçando com uma intervenção militar dos EUA. "Se começarem a matar pessoas como fizeram no passado, penso que serão atingidos com muita força pelos Estados Unidos", ameaçou.

Nesta segunda-feira (12), a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que ataques aéreos estavam entre as "muitas, muitas opções" que Trump estava considerando, mas que a diplomacia é sempre a primeira opção.


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