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    porto velho, terça-feira 24 de fevereiro de 2026

'Ucrânia não foi dominada': Zelensky destaca resistência após quatro anos de guerra


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Publicada em: 24/02/2026 10:03:46 - Atualizado


MUNDO: "Defendemos nossa independência. Não perdemos nossa soberania. Putin não alcançou seus objetivos. Ele não dominou o povo ucraniano. Ele não venceu esta guerra. Preservamos a Ucrânia e faremos tudo para estabelecer a paz e a justiça", acrescentou Zelensky na mensagem.

Pouco antes, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chegou à Ucrânia para demonstrar o apoio do bloco europeu nesta data simbólica. Ela afirmou na plataforma X que deseja "enviar uma mensagem clara ao povo ucraniano e ao agressor". Von der Leyen garantiu: "Não cederemos até que a paz seja restabelecida".

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, também está na Ucrânia nesta terça-feira. Os dois líderes europeus devem participar de um encontro trilateral com Zelensky. Eles também se reúnem, por videoconferência, com a Coalizão de Voluntários, integrada por aliados de Kiev.

Em comunicado, o Conselho Europeu informou que Von der Leyen e Costa participariam de uma "cerimônia de comemoração" e visitariam uma instalação energética ucraniana danificada por ataques russos.

Conflito mais sangrento desde a Segunda Guerra
A guerra na Ucrânia é o conflito mais sangrento na Europa desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A ofensiva russa em grande escala causou centenas de milhares de mortos e feridos. Não há um balanço oficial, mas estimativas calculam em cerca de 465 mil o número de soldados mortos. Entre 275 mil e 325 mil seriam russos, e entre 100 mil e 140 mil ucranianos. Os confrontos deixaram ainda 15 mil civis mortos, aponta um relatório da ONU, publicado em janeiro.

O conflito também provocou um abalo geopolítico. Muitos países europeus aumentaram seus gastos militares, temendo um possível confronto com a Rússia.

As negociações diplomáticas entre Kiev e Moscou, iniciadas em 2025 sob mediação dos Estados Unidos, ainda não alcançaram um acordo para interromper os combates.

Negociações bloqueadas
O exército russo, que ocupa cerca de 20% da Ucrânia, bombardeia diariamente zonas civis e infraestruturas. Os ataques, durante um dos invernos mais rigorosos dos últimos tempos, provocaram recentemente a pior crise energética no país desde o início da invasão em 24 de fevereiro de 2022.

Os aliados ocidentais da Ucrânia impuseram duras sanções à Rússia, forçando o país a redirecionar suas exportações de hidrocarbonetos - essenciais para sua economia - para novos mercados, especialmente na Ásia.

Apesar das pesadas perdas, as tropas russas continuam a avançar lentamente na linha de frente, especialmente no Donbass, cuja anexação é reivindicada por Moscou. A importante região industrial do leste da Ucrânia é o epicentro dos combates.

As negociações em curso estão bloqueadas principalmente pela exigência de Moscou de que as tropas ucranianas abandonem a região oriental de Donetsk. Kiev rejeita essa imposição. Antes de "falar de compromissos" com os russos, o presidente Zelensky quer um cessar-fogo e garantias de segurança dos Estados Unidos.

A Ucrânia pede, como garantia de segurança, o envio de tropas europeias ao seu território. Essa opção é descartada por Moscou. Putin, por sua vez, advertiu várias vezes que perseguiria seus objetivos pela força caso a via diplomática fracasse.

"Imperialismo russo e terceira guerra mundial"
Para justificar sua decisão de invadir a Ucrânia em 2022, o Kremlin alegou, entre outros motivos, que a ambição da ex-república soviética de ingressar na OTAN - aliança militar ocidental - ameaçava a segurança da Rússia.

Na segunda-feira, durante uma cerimônia de entrega de medalhas pelo Dia dos "Defensores da Pátria", celebrado em 23 de fevereiro, Putin afirmou que os soldados russos protegiam na Ucrânia "as fronteiras" da Rússia, garantiam "a paridade estratégica" entre potências e lutavam pelo "futuro" de seu país.

A Ucrânia considera que esta guerra representa uma nova manifestação do imperialismo russo, destinada a submeter o povo ucraniano. Em entrevista à BBC divulgada no domingo (22), Zelensky afirmou que o presidente russo desencadeou na Ucrânia "uma terceira guerra mundial" e quer "impor seu próprio mundo".

Reconstrução
A guerra destruiu grande parte da infraestrutura da Ucrânia, debilitando o país que, antes do conflito, já enfrentava dificuldades econômicas.

A reconstrução após a guerra custará cerca de US$ 588 bilhões (cerca de R$ 3 trilhões) na próxima década, segundo relatório conjunto de Kiev, do Banco Mundial, da União Europeia e das Nações Unidas, publicado na segunda-feira.


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