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porto velho, terça-feira 24 de fevereiro de 2026

MUNDO: O Irã está pronto para fazer “tudo o que for necessário” para chegar a um acordo com os Estados Unidos, afirmou nesta terça-feira (24) o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Majid Takht-Ravanchi.
Os dois países devem se reunir ainda nesta semana para mais negociações.
“Queremos fazer tudo o que for necessário para que isso aconteça. Entraremos na sala de negociações em Genebra com toda a sinceridade e boa vontade”, disse Takht-Ravanchi em entrevista à NPR.
“Se houver vontade política de todos os lados, acredito que o acordo poderá ser alcançado o mais rápido possível", comentou.
EUA e Irã já realizaram duas rodadas de negociações indiretas em Omã e na Suíça, e uma terceira reunião está prevista para esta quinta-feira (26).
Questionado se o programa de mísseis balísticos do Irã, ou qualquer outro assunto, seria discutido nas negociações desta semana, Takht-Ravanchi afirmou que o “único tema” das próximas conversas é a “questão nuclear”.
De toda forma, o diplomata iraniano afirmou que qualquer possível ataque dos EUA ao Irã seria uma “verdadeira aposta” e impactaria toda a região, reiterando que seu país responderia “de acordo com nosso planejamento defensivo”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar um ataque militar contra o Irã caso o país não negocie um novo acordo nuclear que "seja justo com todas as partes".
O líder americano disse que enviou uma "grande frota" para a região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35.
Autoridades iranianas, por sua vez, refutaram a ideia de negociar sob ameaça dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que conversas só poderão ocorrer "em condições em que ameaças e demandas sejam deixadas de lado".
Araghchi também alertou que as Forças Armadas do Irã estão totalmente preparadas para responder “imediata e poderosamente” a qualquer agressão contra o território, o espaço aéreo ou as águas iranianas.
A escalada da tensão entre o Irã e os EUA neste ano teve início com a repressão aos protestos antigovernamentais no início de janeiro no país do Oriente Médio. A população iraniana se revoltou com a inflação desenfreada, tomando as ruas em manifestações contra o regime.
Trump alertou repetidamente que "atacaria com força total" se as autoridades iranianas reprimissem violentamente as manifestações, afirmando que o país estava "pronto e armado".
Durante os protestos, um bloqueio de internet foi imposto no país e mais de 5 mil manifestantes foram mortos, segundo grupos de direitos humanos.
Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo do Irã, afirmou que qualquer ataque dos Estados Unidos seria considerado o "início de uma guerra".