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porto velho, quarta-feira 7 de outubro de 2026

O Ministério Público de Rondônia (MPRO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou quatro pessoas à Justiça no âmbito da Operação Labirinto de Bronze, que investiga a atuação de uma suposta estrutura de milícia privada em conflitos agrários e um esquema de lavagem de dinheiro.
Segundo a denúncia, entre janeiro de 2019 e maio de 2026, parte dos investigados teria integrado uma organização armada, estável e permanente que atuava em disputas por terras nos municípios de Buritis, Ariquemes, Machadinho do Oeste e Cujubim.
De acordo com o MPRO, o grupo seria utilizado para realizar a vigilância de propriedades rurais, intimidar e retirar ocupantes, enfrentar grupos rivais e praticar outras ações violentas relacionadas a conflitos fundiários. A investigação também aponta a possível prestação de serviços de segurança armada mediante pagamento.
Além da suspeita de milícia privada, o Gaeco identificou, conforme a denúncia, mecanismos utilizados para ocultar ou dissimular patrimônio. Entre os bens e operações investigados estão imóveis rurais e urbanos, veículos, movimentações bancárias, uma empresa, registros de bens em nome de terceiros e 1.611 cabeças de gado.
A denúncia aponta ainda sete fatos relacionados à lavagem de dinheiro, envolvendo operações consideradas distintas e autônomas. O MPRO estima em R$ 31,37 milhões o patrimônio, direitos e valores que teriam relação direta ou indireta com os crimes investigados e pediu à Justiça a perda desses bens.
Os denunciados poderão responder, conforme a participação atribuída individualmente a cada um, pelos crimes previstos no artigo 288-A do Código Penal, referente à constituição, organização, integração ou manutenção de milícia privada, além de dispositivos da Lei nº 9.613/1998, que trata da lavagem de dinheiro.
A Operação Labirinto de Bronze foi deflagrada em 26 de maio de 2026, quando foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Ariquemes, Cujubim e Porto Velho, além de medidas para bloqueio e sequestro de patrimônio.
Em setembro, uma segunda fase da operação resultou no cumprimento de três mandados de prisão preventiva, uma nova busca e apreensão em Ariquemes e outras medidas cautelares. Também houve o sequestro de 50% das quotas, direitos societários e econômicos vinculados a uma empresa localizada em Aparecida de Goiânia (GO).
O MPRO pediu à Justiça o recebimento da denúncia, a citação dos acusados, o prosseguimento da ação penal e, ao final, a condenação pelos crimes atribuídos a cada investigado. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os denunciados têm direito à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.